Pais de bebês com doença cardíaca rara fazem manifestação no Rio pedindo melhores atendimentos

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RIO — No ano passado, cerca de dois mil bebês nasceram no Rio com problemas cardíacos. Mas, por falta de diagnóstico precoce ou cirurgia, 6% deles morrerão antes de completar um ano de vida. Para chamar a atenção ao problema, a Sociedade de Pediatria do Estado do Rio (Soperj), com apoio do Prontobaby, fará uma carreata no próximo sábado, dia 12, na orla da Zona Sul. A partir das 10h, pais de bebês com cardiopatias congênitas e profissionais de saúde vão se reunir no Leblon e seguir de carro em direção ao Leme. A ideia é cobrar a ampliação do atendimento cirúrgico e ressaltar a importância de exames pré-natais como o ecocardiograma fetal, que é capaz de detectar anomalias precocemente, mas não é feito na rotina.

— Muitas dessas crianças podem ter diagnóstico ainda dentro do útero pelo exame não invasivo de ecocardiograma fetal. O conhecimento da população sobre esse exame pode salvar muitos bebês com cardiopatias muito complexas e que necessitam de algum tratamento logo após o nascimento. Além disso, a carreata pode mobilizar a opinião pública para que o governo, em todas as esferas, realize maiores investimentos no diagnóstico, tratamento e acompanhamento dessas crianças — diz o cirurgião Denoel Marcelino de Oliveira, que do Grupo Prontobaby, que realiza cerca de 100 cirurgias por ano.

Ele acrescenta que também é importante conscientizar sobre o teste do coraçãozinho, uma avaliação não-invasiva, feita na maternidade, em poucos minutos.

Segundo a médica Talita Nolasco Loureiro, do Departamento de Cardiologia Pediátrica da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio (Soperj), é preciso também chamar a atenção para a falta de leitos cirúrgicos. Ela estima que tenham sido feitas no ano passado cerca de 500 cirurgias, quando seriam necessárias cerca de 1.300 para atender os recém-nascidos e crianças com até um ano de idade.

— Muitas crianças ficam pelo caminho. Somente este ano vi três crianças morrerem porque não conseguiram vaga — lamenta.

Para a médica, a pandemia pode ter agravado ainda mais o problema. Segundo ela, de 1 a 2% dos bebês que nascem com cardiopatias congênitas precisam ser operados com urgência. Os demais precisam sofrer intervenção no primeiro ano de vida, em cirurgias consideradas eletivas.

— Como as cirurgias eletivas foram suspensas durante alguns períodos por causa da Covid, estes bebês podem-te tido atraso ou até mesmo não terem feito as operações que precisam.