Pais devem ter um diálogo aberto sobre sexo com os filhos, alertam especialistas

Evelin Azevedo
1 / 3

boys-3286364_1920

Conversa pode começar antes mesmo do início da adolescência.

Falar de sexo ainda é um tabu, principalmente quando o assunto surge em famílias cujos filhos estão na adolescência. Muitos pais se sentem apavorados só de pensar que um dia precisarão conversar sobre o tema com os jovens. A proximidade do carnaval pode ser uma boa oportunidade para abordar a questão.

— Os adolescentes estão em transformação hormonal e corporal. É nesta fase que eles começam a ter mais pelos. Os meninos têm ereções espontâneas e as meninas menstruam e desenvolvem seios. É neste período que eles passam a ter interesses de cunho sexual e querem entender o que está acontecendo com eles — explica explica Ellen Moraes Senra, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental:

— É comum que, diante de tantas mudanças, sintam necessidade de saber mais sobre o tema, mas isto gera muita insegurança nos pais, o que acaba fazendo com que eles não saibam conversar sobre o tema com os filhos.

Na visão da especialista, é importante que, a partir dos 12 anos, o adolescente tenha com quem conversar sobre o assunto, sejam os pais, algum parente de confiança, um pediatra ou profissional de psicologia.

— É preciso ter um diálogo aberto para tirar todas as dúvidas pertinentes. Justamente por ser uma fase de descoberta e de experimentação. É importante que o adolescente saiba o que fazer, como fazer e entender como seu corpo responde aos diferentes estímulos para que ele não caia em uma cilada — alerta Ellen.

É na fase da adolescência que os filhos iniciam a masturbação, descobrem sua sexualidade e, na maioria das vezes, inicia sua vida sexual. O ideal é que os pais não deixem para iniciar a abordagem do tema apenas na adolescência. Em média, as mudanças corporais começam a aparecer por volta dos 9 anos, tanto nos meninos quanto nas meninas. É nessa fase que as dúvidas começam a aparecer.

Nem sempre os pais ou responsáveis se sentem preparados para conversar sobre o assunto com os adolescentes. Na visão da terapeuta sexual Danni Cardillo, ser transparente é fundamental:

— Se você não sabe a resposta, dar apenas um “não” e ficar em silêncio vai ser muito pior. Esse assunto precisa ser falado, mesmo que você não saiba, é preciso pesquisar.

Para a especialista, o ideal é que os pais se coloquem como uma referência para os filhos, seja qual for o assunto.

— No passado, a criação era diferente. Por isso, muitos pais não tiveram esta informação quando adolescentes e não sabem o que dizer nestas situações. A dica é ouvir o que eles têm a falar e contar sobre a própria experiência, sempre dizendo que com o filho pode ser diferente.

Para Danni, sexo e sexualidade devem ser temas que merecem investimento.

— Todos investem em carreira profissional. Deveriam focar também na área sexual. O que mais vemos são adultos que transam, mas são frustrados.