Pais e alunos dão 'abraço simbólico' no CAp UFRJ para pedir volta do ensino 100% presencial

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RIO — Um abraço simbólico à unidade do Colégio de Aplicação da UFRJ (CAp-UFRJ), na Lagoa, na Zona Sul do Rio, ocorrido na manhã deste sábado, marcou o protesto de pais de alunos que estão cobrando o retorno das aulas 100% presenciais para os seus filhos, a partir do começo do próximo ano letivo. As famílias alegam que os estudantes ficaram um ano e sete meses no ensino à distância e desde que as aulas presenciais foram retomadas, em outubro, de forma híbrida, acontecem presencialmente apenas duas vezes na semana, a cada quinze dias, e com horário reduzido. Alegam que isso causa prejuízo no aprendizado e à saúde mental dos alunos.

Os manifestantes levaram faixas e cartazes, alguns confeccionados pelos próprios estudantes, para demonstrar a sua indignação. Durante o protesto, que reuniu em torno de cem pessoas, também teve um troca solidária de uniforme, que praticamente ficaram sem uso, e já não dão mais nas crianças e adolescentes.

A saudade do ambiente escolar, bem como dos colegas e professores, e o os problemas que isso podem acarretar foram traduzidos pela aluna Clarissa da Cunha, de 11 anos, num cartaz. A menina que está matriculada no 5º ano do ensino fundamental desenhou um cérebro com várias letras embaralhadas e a indagação: "Minha saúde mental fica aonde?". O pai da menina, o professor de Educação Física, Dionízio Costa da Cunha, de 43 anos, morador da Rocinha contou que desde o fim de setembro a filha só tem tido aulas presenciais às segundas e sextas-feiras, a cada 15 dias e ainda assim apenas das 14h às 17h.

— O cartaz da minha filha, que ela mesma fez, já traduz tudo. A gente não teve trabalho com ela em relação a ficar em cima (para estudar). Outros pais reclamam que as crianças tiveram dificuldade e foram se desestimulando a estudar em casa, por não ter por perto a presença do professor. Não tivemos esse problema com ela, com relação ao desinteresse dela (pelos estudos). Ela é muito interessada e dedicada. Mas a gente sentiu que a saúde mental ficou um pouco prejudicada, com relação à saudade dos colegas, o convívio com a escola, que é muito boa e garante um acolhimento. A Matemática, o Português, a Ciência e a Geografia são importantes, mas eu relato aqui os prejuízos à saúde mental, que é fundamental para esse processo todo, que é a formação deles.

Isabel Mello, presidente da Associação de Pais, Alunos e Amigos do CAP-URFRJ disse que a direção da escola já teria começado a fazer um planejamento do calendároio letivo, mas nada foi comunicado ainda aos pais, oficialmente. Ela alega que aindefinição é ruim tanto para os estudantes como para as suas famílias.

— A gente quer um comprometimento da direção da CAp UFRJ e da reitoria (da UFRJ) em ter aulas presenciais 100% no ano que vem, a partir de fevereiro, e que faça uma avaliação das perdas pedagógicas desses estudantes e apresentar para as famílias, para que elas saibam como vai ser a recuperação. O retorno híbrido que o CAp apresentou é muito tímido. A criança vem a cada duas semanas e fica mais 15 dias em casa. Ainda assim o tempo de aulas é reduzido a três horas. Não é uma escola de bairro. Tem famílias que moram em locais diferentes e vêm trazer as crianças e tem que ficar dando volta para esperar a saída porque não dá tempo ir em casa. A escola diz que está fazendo planejamento para o ensino 100% presencial no ano que vem, mas não comunicou isso a comunidade. Precisa dizer isso, senão fica no campo teórico, das ideias.

Isabel Melo fez questão de esclarecer que os pais que estão cobrando o retorno 100% presencial não são negacionistas. Eles defendem a volta às aulas com obediência a todos os protocolos de segurança sanitária. A preocupação maior é com o prejuízo das crianças.

— A educação infantil não funciona online. As crianças não têm paciência e nem todo mundo tem computador em casa. Além disso elas sentem falta da convivência diária com os coleguinhas e com os professores e a própria escola — aponta a design gráfica Dalin sant'Anna, de 32 anos, moradora em Marechal Hermes, e mãe de Sofia, de 6 anos, matriculada numa turma de educação infantil, no Fundão.

A direção do CAp-UFRJ foi procurada, por meio da assessoria da UFRJ, mas ainda não respondeu.

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