Pais e estudantes têm problemas com tablets entregues pela Prefeitura de SP

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 14.08.2021 - Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 14.08.2021 - Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois meses após a Prefeitura de São Paulo atingir a marca de 200 mil tablets entregues aos alunos da rede municipal de ensino, pais, responsáveis e estudantes relatam dificuldades no uso dos equipamentos. A demora para conseguir a manutenção dos tablets faz com que alunos não consigam acompanhar o ensino remoto adequadamente.

A compra dos tablets foi anunciada em agosto do ano passado, com previsão de entrega em diferentes fases. Houve atraso na distribuição, que começaria em fevereiro, depois passou para março, porém só começou em maio.

Em junho, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a entrega seria finalizada em agosto, totalizando 465,5 mil destinados aos alunos do ensino fundamental e outros 40 mil para alunos da educação infantil. Questionada pela reportagem, a Secretaria Municipal da Educação não informou, até a publicação desta reportagem, se a entrega havia sido finalizada.

Segundo o Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo), há um grande número de reclamações por parte de responsáveis e professores em relação aos tablets. De acordo com Michele Rosa, professora da educação infantil e uma das diretoras do sindicato, a maior parte das queixas é sobre problemas com a internet ou com a configuração dos equipamentos.

"Por exemplo, a criança consegue acessar alguns aplicativos, mas, se o professor pedir para fazer uma pesquisa ou assistir a um vídeo, a criança não consegue", explica. "Ou a internet dos chips não é suficiente para o que eles precisam fazer ou a configuração atrapalha os acessos necessários."

Michele reforça que, na educação infantil, os tablets são para uso nas escolas. Eles são levados para casa somente por alunos de ensino fundamental.

No caso de problemas com o aparelho, os pais ou responsáveis devem levar o tablet até a escola para que a direção abra um chamado para fazer os reparos necessários, explica a professora. O equipamento não deve ser levado para a manutenção em outros locais.

"O problema é que o chamado demora. Quando acontece algum problema, a escola abre o chamado de imediato e tem que aguardar a SME [Secretaria Municipal de Educação] resolver a manutenção. O processo é um pouco lento e, nesse período, os alunos ficam sem o equipamento", complementa Michele.

É o que acontece com a filha da diarista Silvia Rodrigues, 41. Isabella Vitória tem 10 anos e estuda no CEU EMEF Maria Lisboa da Silva, no Parque Boa Esperança, zona leste de São Paulo.

Há um mês ela não consegue acessar os conteúdos do ensino remoto, porque seu tablet precisa de reparos. "Ela estava estudando e o tablet estava carregando. Quando foi pegar o livro, o tablet caiu e quebrou a peça do carregador", explica Silvia.

Dois dias após o acidente, a mãe foi até a escola para receber instruções e, segundo ela, foi orientada a assinar um termo e aguardar o contato para manutenção com um técnico.

"A Isabella está tendo aula uma semana sim e uma semana não. Ela só estuda na semana que tem aula presencial, porque ela teria que estudar em casa pelo tablet, mas não tem como", argumenta a mãe.

De acordo com Silvia, ela não tem autorização para levar o aparelho para fazer manutenção com terceiros. "Eu sugeri e perguntei se poderia levar, para que ela não perca as atividades, nem fique com faltas, mas não pode", conta.

Para Michelle Mello, 35, aluna da modalidade da Educação de Jovens e Adultos da Emef Luiz Gonzaga do Nascimento Jr., no bairro do Ipiranga (zona sul), a manutenção também foi um problema.

Ela conta que a tela de seu tablet quebrou quando seu filho derrubou o aparelho sem querer. "Até tentei levar para arrumar, mas era R$ 600 o lugar mais em conta. Não tenho condições de arcar com esse valor", diz.

Michelle, então, entrou em contato com a escola, que orientou que ela levasse o aparelho até a unidade para que ele fosse enviado para a assistência técnica. Segundo ela, isso foi há quatro meses e, desde então, não havia obtido retorno sobre o reparo.

Após relatar o problema para a reportagem, Michelle disse que a escola entrou em contato e afirmou que ela pode retirar o tablet consertado nesta quarta-feira (1º).

RESPOSTA

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, diz que em caso de intercorrência com os tablets, os responsáveis são orientados a procurar a unidade escolar.

"Em relação ao caso da estudante da Emef Maria Lisboa da Silva, a responsável não levou o tablet para a abertura de chamado. Nesse caso, uma equipe entrará em contato para solicitar que o equipamento seja levado para unidade para que as providências para reparo sejam tomadas. Já na Emef Luiz Gonzaga do Nascimento Jr, a equipe entrará em contato com a estudante para substituição do equipamento danificado", diz o texto.

Ainda segundo a secretaria, os tablets são voltados para utilização pedagógica e são distribuídos aos alunos após montagem, programação, testes e ativação do sistema de monitoramento de conteúdo. Os alunos farão utilização dos equipamentos enquanto estiverem matriculados na rede. Além de todo o cuidado, orientação e organização, que inclui agendamento e comunicação com as famílias, há também fornecimento de materiais de apoio específicos para garantir que a entrega dos equipamentos aconteça da melhor forma possível.

As escolas estão abertas para receber os estudantes, dentro dos protocolos sanitários. A presença em sala de aula não é obrigatória, de acordo com a Lei número 17.437, de 12 de agosto de 2020. As unidades estão autorizadas a atender de acordo com sua capacidade, desde que mantenham o distanciamento de 1 metro entre um aluno e outro, em sistema de revezamento semanal em no máximo duas turmas.

"O ensino remoto permanece para todos. Quem não está presente em sala de aula, participa em caráter obrigatório por meio da plataforma Google Classroom ou de outros meios de disponibilização das atividades. Outras ferramentas que auxiliam o ensino híbrido estão sendo utilizadas, além de material impresso a ser retirado pelos pais/responsáveis, conforme organização da Unidade Educacional", complementa a nota.

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