Pais de garota atingida por bala perdida no Humaitá evitaram réveillon na praia para fugir do tumulto

Os pais da jovem de 13 anos atingida de raspão nas costas por um disparo de arma de fogo durante os primeiros minutos do ano se manifestaram sobre a tensão que viveram no réveillon. A adolescente foi atingida por uma bala perdida na varanda do apartamento da avó no Humaitá, Zona Sul do Rio, momentos após a virada do ano. Segundo a família da menina, a opção de comemorar a virada em casa teria sido justamente uma tentativa de garantir a segurança.

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— No ano passado nós havíamos ido até a praia de Copacabana e ela ficou nervosa porque achou muito tumultuado e com confusão. A gente chegou a pensar em ir para lá próximo ao horário da virada, mas desistiu, pensando em ter mais segurança em casa, e aí isso aconteceu. É um absurdo, quer dizer, agora nem mesmo em casa a gente consegue ter segurança — lamentou a mãe da menina.

Nesta segunda-feira, em entrevista concedida ao GLOBO, a adolescente e seus pais afirmaram estar aliviados com a melhora no seu estado de saúde e lamentaram o caso do menino Juan Davi de Souza Faria, de 11 anos, morto quando comemorava o réveillon com a família em Mesquita, na Baixada Fluminense.

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— Infelizmente parece que tem se tornado algo comum esse tipo de coisa. A gente teve uma sorte que esse menino não teve. É como se ela tivesse ganhado um novo aniversário. É muito triste ver esse tipo de coisa acontecendo e ver que não são casos isolados — afirmou a mãe da jovem.

A jovem também falou. Ela lembrou o momento em que foi atingida e as horas que se seguiram ao acidente:

— Eu estava na varanda, virada para o lado de Copacabana, filmando os fogos com o celular. Aí pouco depois da virada eu senti uma dor muito forte nas costas e comecei a gritar. Como tinha acabado de ter a virada, cheguei a pensar que tinha sido a rolha de um espumante ou algo parecido. Minha mãe me levou para a sala, e foi aí que vimos o sangue. Todo mundo se desesperou.

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Na tarde desta segunda-feira, policiais da 10ª DP (Botafogo) e do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) fizeram uma nova perícia no endereço da adolescente. De acordo com a família da vítima, a polícia também foi ao local para tomar novos depoimentos da vítima e da avó da garota, que não estava no endereço no dia 1º de janeiro, quando o primeiro trabalho de perícia foi realizado.

A polícia suspeita que o tiro tenha partido do Morro Dona Marta, em Botafogo, que fica próximo ao apartamento. Um projétil foi encontrado no chão da sala.

Segundo a Polícia Militar, agentes do 19º BPM (Copacabana) foram acionados para verificar a entrada da menina na unidade de saúde e constataram o fato. O caso foi registrado na 12ª DP (Copacabana) e encaminhado para a 10ª DP (Botafogo), que faz diligências para apurar a autoria do disparo.