Palácio de Justiça de Paris, um bunker para o julgamento dos atentados de novembro de 2015

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Membros da Gendarmaria Nacional chegam ao Palácio de Justiça de Paris, em 8 de setembro de 2021, antes do início do julgamento dos acusados pelos atentados de novembro de 2015 (AFP/Alain JOCARD)

Cercado pelo rio Sena e, devido à ocasião, por forças de segurança, o Palácio da Justiça de Paris foi transformado em um bunker nesta quarta-feira (8), no início do julgamento dos atentados de 13 de novembro de 2015 em um ambiente solene.

"Por onde passamos?": a pergunta se repete entre parisienses, corredores e turistas diante do perímetro de segurança implantado na Île de la Cité, o coração da capital francesa que abriga a Catedral de Notre Dame e a Sainte-Chapelle.

“Tem que dar meia-volta”, respondem calmamente os policiais, destacados em grande número para os nove meses que durará o julgamento dos ataques que deixaram 130 mortos em Paris.

No total, 630 membros das forças de segurança irão patrulhar o exterior do tribunal e controlar seus acessos devido ao "julgamento do século", como o chama a mídia francesa.

Os jornalistas já começaram suas transmissões ao vivo quando, por volta das 9h30, chegou o ultravigiado comboio de Salah Abdeslam, único membro vivo dos comandos jihadistas, vindo de uma prisão localizada 30 quilômetros ao sul de Paris.

A poucos metros da entrada principal do Palácio da Justiça, no bar Deux-Palais, Clémence, uma estudante de direito, acompanhava de perto este acontecimento histórico.

“Não consigo chegar mais perto no momento, mas queria ver daqui a efervescência”, explicou à AFP a jovem de 21 anos, que espera poder “assistir a algumas audiências”.

“Este dispositivo é inédito!”, afirmou Faouza Colet, advogada de direito social, antes de entrar no palácio pela entrada habitual para assistir a outra audiência.

Do outro lado, uma entrada está reservada para o processo denominado "V13" (sexta-feira 13, com a inicial em francês). A mídia já fazia fila até duas horas antes da abertura do acesso às 10h.

E depois de passar por um dos doze portões de segurança, é possível acessar a sala de audiências com 550 lugares.

Uma dezena de salas do tribunal de apelação também foram preparadas para transmitir o julgamento, dependendo do movimento, elevando a capacidade total para 2.000 lugares.

- Credencial vermelha ou verde -

Neste primeiro dia, poucas partes civis foram aos tribunais, conforme haviam sido aconselhadas, visto que se tratava dos dois primeiros dias de trâmites.

Os que decidiram ir receberam na entrada um crachá verde, se concordassem em falar com a imprensa, ou vermelho, se preferissem não o fazer.

"Estou aqui porque é importante, é um símbolo forte a realização deste julgamento", disse Arthur Dénouveaux, sobrevivente do Bataclan e presidente da associação Life for Paris, para quem há "uma espécie de adrenalina".

Doze psicólogos e cinco assistentes vestidos com coletes azuis, membros de uma associação para ajudar as vítimas, percorriam os corredores.

Laurent Ivaldi, advogado da família de uma vítima do Bataclan, garantiu que seus clientes desejam acima de tudo que "se saiba quem foi esta jovem, que amou a vida, a fotografia, a música, as varandas de Paris".

Sua irmã será uma das pessoas a testemunhar, mas não antes do final de setembro, de acordo com o plano do tribunal.

Às 13h17, o presidente do tribunal especial anunciou o início dos nove meses de julgamento na fortaleza judicial.

“É claro que esperávamos esse processo porque é uma etapa lógica, inevitável”, afirmou Dominique Kielemoes, que perdeu seu filho Victor Muñoz na varanda do bar La Belle Equipe.

No entanto, “é apenas uma etapa, não vai mudar nada no nosso luto, no nosso sofrimento. Cada um precisa tentar conviver com isso”, acrescentou.

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