Inteligência somali toma parlamento após polêmica entre líderes políticos

Mogadíscio, 16 mar (EFE).- Agentes dos serviços de inteligência da Somália tomaram nesta sexta-feira o edifício do parlamento em meio a uma polêmica entre seu presidente, Mohamed Osman Jawari, e o primeiro-ministro, Hassan Ali Khaire, que tentam destituir um ao outro com moções de censura.

Jawari convocou uma entrevista coletiva hoje em sua residência para acusar Khaire de enviar "equipes de segurança" para atacar-lhe: "Fui atacado por forças do governo que tomaram meu escritório para me tirar dali".

O presidente do parlamento assegurou que se transformou em um "alvo" porque se nega a "facilitar os tratos", embora não tenha dado detalhes a respeito de tais negociações.

Por enquanto, analistas políticos consultados pela Agência Efe não conhecem os motivos de tal operação de inteligência, mas asseguram que a ação pode colocar ainda mais em risco a relativa estabilidade política nesta nação da África oriental.

"Foi uma ação inesperada contra o parlamento, e criará disputas políticas entre os dirigentes do governo, como o primeiro-ministro ou o presidente e o presidente do parlamento", disse hoje o deputado Mohammed Isak Osman.

A moção de censura impulsionada por legisladores ligados a Khaire, votada na quarta-feira, não prosperou depois que 16 dos deputados que a apresentaram mudaram de opinião - e a proposta ficou a um só voto de ser tramitada -, razão pela qual Jawari seguirá ostentando seu cargo, no qual permanece desde 2012.

Por sua parte, Jawari planeja outra moção de censura para destituir Khaire, segundo revelou na terça-feira passada ao portal de notícias "Garowe Online" um deputado que pediu anonimato.

Nos últimos meses, a Somália viveu uma intensificação do terrorismo do grupo Al Shabab, incluindo o atentado mais violento da sua história, com mais de 500 mortos, algo que os especialistas atribuem às lutas internas do Executivo e ao seu distanciamento das cúpulas do exército e dos serviços de inteligência. EFE