Palavrão faz bem à saúde

Pesquisas e estudos científicos recomendam: falar palavrões faz bem pra saúde e as relações pessoais.

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Trabalhos realizados por universidades e publicações de diversos países concluíram que palavrões ditos alto e bom som podem ajudar na solução de problemas.

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Segundo um estudo da Universidade Keele, do Reino Unido, meia dúzia de palavrões bem falados são ótimos para aplacar dores físicas.

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Exemplo: você está fazendo uma caminhada descalço e dá uma topada com o pé numa pedra. Sente dor imediatamente. A dor e a raiva tomam conta do seu cérebro. Você berra alguns palavrões, e eles emitem uma mensagem para a amígdala do cérebro, que se converte numa reação emocional e física que lhe fornece força para superar a dor.

Outro estudo, publicado no Psychology of Sport and Exercise, garante que xingar enquanto se pratica algum esforço aumenta a capacidade física de um esportista em até 8% durante qualquer tipo de treinamento. Os palavrões fornecem ao atleta uma espécie de energia extra, quase um doping psicológico.

Para os cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), falar palavrões de vez em quando torna as pessoas mais racionais. Xingar obriga o ser humano a ser mais analítico na hora de tomar uma decisão.

O periódico Language Sciences garante que quem diz mais palavrões tem, no geral, um vocabulário mais rico, se expressa melhor e de forma mais detalhada.

Segundo um estudo no Social Psychological and Personality Science, as pessoas que falam palavrões com adequação e naturalidade são vistas pelas outras como mais verdadeiras, honestas e autênticas.

São inúmeros os argumentos científicos defendendo os palavrões, mas, curiosamente, todos vão na contramão dos dias de hoje. Com o politicamente correto, xingar está pegando mal pra cacete.

Até mesmo nos estádios de futebol, onde os palavrões praticamente faziam parte do espetáculo. Dias atrás, um distinto senhor de 85 anos se queixou da falta de palavrões no Maracanã, que ele frequenta desde a inauguração, no dia 16 de junho de 1950. Segundo ele, futebol sem palavrão não é futebol.

A verdade é que as coisas mudaram, e quem não quiser se adaptar a essa nova realidade que vá se roer, pra não dizer uma outra palavra mal-vinda nestes novos tempos. Já basta o “pra cacete” que escrevi lá em cima.

Quando comecei a trabalhar, aos 18 anos, era normal muita gente usar palavrões para se referir aos chefes. Era “daquele filho da mãe” pra baixo, sendo que esta mãe escrita agora é obviamente de minha inteira responsabilidade. Curiosamente, eu — que tive a sorte de sempre ter chefes que mereciam ser elogiados em vez de xingados — aprendi a liderar com eles e, quando passei a chefiar, acabei conhecido como um cara legal de trabalhar. Ficou famoso um dos princípios da W/Brasil que dizia “é melhor trabalhar sob tesão do que sob tensão”. Não sei se falar tesão é permitido nos dias de hoje, mas acho que o princípio continua válido.

A verdade é que é tudo uma questão de bom senso. Há momentos em que os palavrões são adequados, outros em que se tornam descabidos. Existem pessoas que podem falar uma porção de palavrões com a maior naturalidade, e outros em que um simples “merda” dito baixinho pode ficar chocante.

Para evitar aborrecimentos, o ideal é a gente guardar os palavrões para depois das topadas no pé ou para dizer quase sussurrando durante as sessões nas academias de ginástica.

Um outro lugar, na minha opinião, também adequado pra despejar uma porção de palavrões é em cima daqueles políticos que prometeram muitas coisas antes das últimas eleições e não cumpriram nada durante seus mandatos. Mas contra esses filhos da mãe existe uma vingança mais maligna e mais eficaz do que apenas despejar palavrões em cima. É despejar nossos votos nos candidatos que são seus opositores.

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