Após aglomerações, Campos do Jordão tem mais de 400 em isolamento domiciliar devido à Covid

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SÃO PAULO — A cidade de Campos do Jordão (SP), que registrou aglomerações neste feriado prolongado, tem mais de 430 pessoas em isolamento domiciliar, com Covid-19 confirmada (206) ou à espera de resultados de exames (226). Dos 11 hospitalizados no próprio município por complicações da doença, oito estão em leito de UTI.

Depois das imagens de aglomeração registradas na última quinta-feira na Vila Capivari, no centro da cidade turística, que chegaram a virar meme nas redes sociais, policiais de Taubaté e São José dos Campos apoiaram a prefeitura local em ações de fiscalização. Uma barreira sanitária foi montada na entrada da vila, para controlar o acesso, mas o problema continuou com festas particulares.

Só na noite de sexta-feira foram encerradas cinco delas. Numa casa de alto padrão, a polícia dispersou 300 pessoas que estavam aglomeradas, sem máscara e sem distanciamento.

Com apenas um hospital e um complexo médico municipal, que inclui pronto socorro, Campos do Jordão faz parte da região de saúde de Taubaté, no Vale do Paraíba. Segundo dados da InfoTracker, plataforma desenvolvida por universidades públicas do estado e que monitora dados da Covid-19, até sábado haviam 591 pacientes internados em UTI na região e 656 em enfermaria em decorrência da infecção pelo coronavírus — 1.247 no total.

Segundo o professor Wallace Casaca, um dos responsáveis pela plataforma, a região de Taubaté é a quarta do estado em aumento no número de leitos ocupados em UTI nos últimos sete dias, com 7,26%, atrás apenas da região Oeste da Grande São Paulo (23,64%), São João da Boa Vista (19,84%) e Bauru (13,48%).

— A região de Taubaté nunca teve tanta gente internada em UTI em sua história. Neste sábado, bateu o recorde. Se considerados também os leitos de enfermaria, a região nunca teve tantas pessoas em leitos hospitalares — diz Casaca.

Com pouco mais de 50 mil habitantes, Campos Jordão é conhecido pelo Festival de Inverno e procurado por famílias de alta renda, muitas das quais mantém residências de temporada no município. A população fixa, porém, em maioria não se encaixa neste perfil. Cerca de 30% da população tem renda média mensal de no máximo meio salário mínimo. A média de salário dos trabalhadores ocupados gira em torno de dois salários mínimos.