Vítima de exploração sexual promove ação contra tráfico humano em hospitais

Beatriz Limón.

Phoenix (EUA), 25 abr (EFE).- Holly Gibbs, a diretora do Programa de Resposta ao Tráfico Humano nos hospitais Dignity Health, no Arizona, nos Estados Unidos, foi vítima da tráfico de pessoas e a terrível experiência lhe deu forças para ajudar milhares de pessoas que estão em situações semelhantes.

Atualmente, Holly trabalha em parceria com hospitais do Arizona para ajudar a equipe médica a reconhecer entre os pacientes os que, de acordo alguns sinais de atenção que ela mesma estabeleceu, podem ser vítimas de comércio de seres humanos.

"Uma vítima de tráfico pode apresentar sinais comuns, como marcas de agressões físicas ou sexuais, pode ter necessidades médicas por falta de cuidados ou apresentar ferimentos supostamente acidentais ou falsamente atribuídos a um parto", detalhou Holly à Agência Efe.

Os funcionários estão advertidos também de que, geralmente, as vítimas vão ao hospital acompanhadas por pessoas que controlam seus passos, que não as deixam falar, e apresentam sinais visíveis de negligência médica ou física.

"Estes sinais são um aviso para a equipe médica continuar investigando. O trabalho que eu faço é de oferecer educação integral e contínua para eles sobre o tráfico humano e a exploração sexual, incluindo definições e tendências", destacou.

De acordo com um levantamento realizado este ano com vítimas de exploração sexual pela Coligação pela Abolição da Escravidão (CAST), mais da metade dessas pessoas tinha recebido algum atendimento médico enquanto era objeto de exploração. Mas quase 97% das vítimas disseram nunca ter recebido informação sobre a questão enquanto estave no hospital.

"Estes estudos evidenciaram que as pessoas que prestam atendimento médico estão encontrando as vítimas, mas estão desprevenidas para dar respostas apropriadas à problemática", explicou Gibbs.

Por esse motivo, os hospitais Dignity Health lançaram uma iniciativa contra o tráfico humano, que inclui a avaliação obrigatória nas salas de emergências e nos departamentos de obstetrícia das pessoas com suspeitas de serem vítimas deste crime.

A equipe foi treinada para encontrar os sinais de alerta e, uma vez identificadas, as vítimas são encaminhadas às agências comunitárias para receber apoio e assistência.

"Em 2016, identificamos pelo menos 31 pessoas com níveis altos ou moderados com esses indícios no estado", ressaltou Holly.

Ela destacou que o programa tem como objetivo combater uma indústria cujos tentáculos estão crescendo em Phoenix, já que a idade média de um adolescente que ingressa no mercado sexual no Arizona é de 14 anos. A polícia reportou vítimas inclusive de nove anos.

Holly foi vítima de tráfico humano aos 14 anos. Um homem que se apresentou como olheiro de moda em um shopping de Nova Jersey a sequestrou. "Me traficaram por sexo comercial durante duas noites em Atlantic City. Depois fui resgatada pela polícia e agora utilizo essa experiência para treinar a equipe médica", contou.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos identificou a cidade de Phoenix como uma das principais do país para o tráfico humano, de acordo com o "Arizona Human Trafficking Council", já que sua economia é impulsionada pelo turismo e conta com uma população transitória.

A estimativa é que 78 mil homens de Phoenix sejam clientes de anúncios sexuais online e cerca de 300 propagandas oferecendo serviços para adultos sejam colocadas diariamente na internet.

A detetive Ortiz, que pediu para assim ser identificada e que trabalha para o Departamento da Polícia de Phoenix, indicou à Efe que o problema é muito profundo, mas que a comunidade hispânica é a mais vulnerável.

"De acordo com as investigações, as vítimas latinas são contatadas por meio de jornais e revistas, enquanto as da comunidade afro-americana são achadas pela internet", destacou.

Segundo ela, esta problemática é real e é vivenciada todos os dias em casas, escolas e ruas. "Muito acham que isso só acontece com os outros, mas pode sim acontecer com você. É muito importante denunciar às autoridades", advertiu. EFE