Palestinos criticam relatório inconclusivo dos EUA sobre a morte de jornalista na Cisjordânia

REUTERS - RANEEN SAWAFTA

Palestinos regiram nesta terça-feira (5) à publicação, pelos Estados Unidos, de um relatório sobre a morte da jornalista Shireen Abu Akleh, morta em 11 de maio durante uma operação militar israelense na Cisjordânia ocupada. De acordo com a análise dos especialistas americanos, o tiro provavelmente veio do lado israelense, mas não existe razão para acreditar que a morte tenha sido intencional. Em entrevista à RFI, sobrinha da jornalista diz que relatório é uma ofensa à memória de Shireen.

Na segunda-feira (4), os Estados Unidos concluíram que a jornalista palestina-americana Shireen Abu Akleh foi "provavelmente" morta por tiros de uma posição israelense, enquanto cobria ataques do exército na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada. Porém, o relatório aponta não haver motivos para se acreditar que a morte da repórter tenha sido intencional.

"O Departamento de Estado americano afirmou, em um comunicado, que não era possível chegar a conclusões definitivas porque, de acordo com os investigadores, a bala que matou a jornalista da Al Jazeera estava muito danificada.

Israel, que analisou o projétil juntamente com os americanos, contrariamente à vontade dos palestinos, continua a afirmar que é impossível conhecer a origem do tiro. Shireen Abu Akleh foi morta com uma bala de calibre 5,56 mm disparada por um rifle semiautomático Ruger Mini 14. O ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, disse que os primeiros responsáveis “são os terroristas que operam no meio da população”.

Tanto a Autoridade Palestina quanto a Al Jazeera e o Catar, país que financia a emissora, imediatamente acusaram o exército israelense de terem matado a repórter. Ela cobria uma operação militar em um campo de refugiados no território palestino ocupado por Israel desde 1967. Quando foi atingida, ela usava um colete à prova de balas onde estava escrito "imprensa" e um capacete.

O anúncio da morte causou comoção entre palestinos e no mundo árabe, mas também na Europa e nos Estados Unidos. Vários protestos foram registrados nos territórios palestinos e uma rua de Ramallah foi rebatizada com o nome de Abu Akleh.

Palestinos não aceitam versão americana

Para os palestinos, os resultados das análises americanas não convencem. Em sua conta no Twitter, Hussein Al Sheikh, Secretário geral da organização pela libertação da Palestina, disse que não aceitaria tentativas de esconder a verdade e que não tinha medo de acusar Israel.

Parentes de Shireen disseram que os resultados são uma ofensa à memória da jornalista. Em entrevista à RFI, Lina Abu Akleh, sobrinha de Shireen, disse que a família “deve recorrer a Tribunais internacionais." Segundo ela, de acordo com a procuradoria palestina, em um comunicado, a jornalista foi intencionalmente alvo do Exército israelense.

“Não houve transparência nesse processo de análise. Nós nem fomos informados dessa investigação antes. Pior, ficamos sabendo pela mídia. E também soubemos pela imprensa que não haveria especialistas israelenses presentes. No entanto, verificamos mais tarde que não era o caso", afirmou. "Esperávamos, pelo menos, que os resultados fossem apresentados de forma detalhada”, completa, reafirmando que a investigação “carece de transparência”.

Para Lina Abu Akleh, “o apoio demonstrado a Israel é uma verdadeira decepção. O comunicado diz que o tiro foi acidental. Não entendo como isso é possível, pois não havia ativistas, apenas jornalistas claramente identificados como tal. E é importante notar que a bala não é a única evidência”, lamenta.

(Com informações da RFI)

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