Palestinos devem retomar coordenação de segurança com Israel

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O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas

Palestinos devem retomar coordenação de segurança com Israel

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas

A Autoridade Palestina, presidida por Mahmud Abbas, anunciou nesta terça-feira (17) a retomada da coordenação em questões de segurança com Israel, suspensa desde maio, medida que deve facilitar o cotidiano dos palestinos.

"Em virtude dos contatos internacionais de Mahmud Abbas (...) e considerando os compromissos escritos e orais dos israelenses, vamos retomar as relações onde estavam em 19 de maio de 2020", dia em que anunciou a suspensão desses acordos, declarou o ministro palestino de Assuntos Civis, Hussein al-Sheikh.

Mahmud Abbas justificou o fim da coordenação de segurança em maio com protesto contra o projeto israelense atualmente suspenso para anexar áreas da Cisjordânia, um território palestino ocupado pelo exército israelense desde 1967.

Abbas disse, então, que seu governo não se sentia mais obrigado por "todos os seus acordos e entendimentos com os governos dos Estados Unidos e de Israel, e todas as suas obrigações com base nesses entendimentos e nesses acordos, incluindo aqueles relativos à segurança".

Essa decisão teve um impacto importante sobre a organização de transferência de pacientes palestinos para hospitais israelenses.

Ao interromper sua coordenação com Israel, a Autoridade Palestina também parou de receber transferências de tarifas, especialmente alfandegárias, cobradas por Israel em nome desta instituição.

Privada de sua renda, a Autoridade Palestina teve que cortar o salário de seus servidores públicos, em um período em que a economia palestina está paralisada devido à pandemia de covid-19.

Al-Sheikh não especificou se a retomada das relações com Israel ao ponto em que estavam antes de 19 de maio também significaria o retorno das transferências de tarifas à Autoridade Palestina.

Mas em uma videoconferência com jornalistas em Washington, o primeiro-ministro, Mohammed Shtayyeh, declarou que o lado palestino retomaria "o contato com os israelenses sobre questões financeiras, de saúde e políticas".

- Adeus Trump, olá Biden -

O anúncio ocorre às vésperas da chegada a Israel do chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, cujo governo mantém relações tensas com os palestinos.

Depois que Donald Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, os palestinos cortaram relações com Washington.

Os palestinos, cujo principal negociador, Saeb Erakat, morreu de covid-19 na semana passada, comemoraram a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Os palestinos mantiveram a coordenação com Israel congelada neste verão, depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou a suspensão da anexação de áreas da Cisjordânia.

Ele havia anunciado anteriormente a normalização das relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, e depois as do Bahrein e do Sudão, o que os palestinos consideraram uma "traição".

Os israelenses propuseram nos últimos meses discutir com os palestinos com base no plano de Trump, que prevê tornar Jerusalém a capital de Israel e integrar cerca de 30% da Cisjordânia a Israel.

Segundo Shtayyeh, os palestinos apresentaram recentemente três opções: negociações sob a égide do Quarteto (ONU, UE, Rússia, EUA), retomar as negociações no ponto em que pararam em 2014 ou retomar os compromissos já assinados.

"Parece que Israel escolheu esta terceira opção", disse Shtayyeh nesta terça-feira.

Netanyahu e Biden conversaram na terça-feira e concordaram em se encontrar "em breve", disseram os serviços do primeiro-ministro israelense.

A Autoridade Palestina de Abas, na Cisjordânia ocupada, e os islamitas do Hamas, no poder na Faixa de Gaza, iniciaram diálogos para se unir contra o plano Trump e a normalização das relações entre Israel e os países árabes.

A retomada da coordenação entre Israel e a Autoridade Palestina é "uma facada" nas negociações internas, criticou o Hamas nesta terça-feira, alegando que Joe Biden "não" iria acabar com a "ocupação" israelense.

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