Palestinos de Jerusalém Oriental entre duas eleições

Hiba ASLAN
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Israel considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital, enquanto os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado

Os palestinos em Jerusalém Oriental pagam seus impostos, vivem e trabalham em Israel, mas não podem votar nas eleições legislativas israelenses de terça-feira(23), a menos que tenham mudado de nacionalidade e, portanto, perdido o direito de voto nas eleições palestinas.

Os 300.000 palestinos na parte oriental da Cidade Santa têm um status à parte: Israel, que anexou Jerusalém Oriental em 1967, os considera residentes, mas não cidadãos nacionais plenos.

Ele têm direitos sociais, têm acesso a serviços de saúde e documento de residência, mas não têm passaporte. Eles podem participar nas eleições municipais israelenses, mas não nas eleições gerais do país.

No entanto, milhares de palestinos começaram nos últimos anos - eram 1.800 em 2020 - a solicitar a nacionalidade israelense.

É o caso de Nur Dwayyat, professor de 34 anos de Jerusalém Oriental, que trabalha na cidade israelense de Abu Gosh. Ele obteve sua nacionalidade em 2016 e votará na terça-feira pela quarta vez em uma eleição nacional israelense.

“Eu moro neste país, faço parte dele, tenho o direito de votar”, disse o morador de Sur Baher, um bairro palestino em Jerusalém.

Para quem você está votando? “Para quem atua em favor da comunidade árabe”, garante, sem maiores detalhes.

Amer Nasser, um advogado de 48 anos de Beit Hanina, bairro de Jerusalém Oriental, também obteve a cidadania israelense.

Ele continua se definindo como "palestino", e isso ditará sua escolha eleitoral, ao censurar Netanyahu por preferir normalizar as relações com os países árabes (Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão, Marrocos) para resolver o conflito israelense-palestino.

- "Lista árabe unida" -

“É por isso que vou votar na 'Lista Árabe Unida', esperando ... por uma coexistência pacífica entre palestinos e israelenses”, acrescenta, referindo-se ao principal partido que representa os árabes-israelenses no Parlamento de Israel.

Mas, ao se tornarem cidadãos israelenses, esses palestinos perdem o direito de voto nas eleições palestinas, as primeiras em 15 anos: as legislativas estão marcadas para maio e as presidenciais para julho.

Mas, na realidade, nem mesmo é certo que os palestinos em Jerusalém Oriental poderão votar nessas eleições. Como a parte oriental da cidade está anexada, Israel deveria, em teoria, dar luz verde para essas eleições, que também são realizadas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

A Autoridade Palestina apelou à comunidade internacional para pressionar Israel a permitir o voto em Jerusalém Oriental.

Em caso de rejeição israelense, os palestinos consideram vários cenários, como uma votação eletrônica, uma votação em cidades palestinas vizinhas a Jerusalém ou em escritórios de organizações internacionais.

- Divisão -

Em Jerusalém Oriental, há uma divisão de opinião sobre as eleições palestinas, já que, de fato, a Autoridade Palestina de Mahmoud Abas só exerce seu poder em algumas áreas da Cisjordânia e não em Jerusalém.

Segundo o advogado e analista palestino Moein Odeh, os palestinos em Jerusalém "não estão interessados nestas eleições (palestinas) porque não têm impacto na situação da cidade", que é inteiramente administrada por Israel.

Wafa Qawasmi-Bukhari, uma palestina de Jerusalém Oriental, lembra com emoção de ter votado nas últimas eleições legislativas palestinas de 2006.

Logo após a segunda intifada, tinha "esperança" de mudança. Atualmente, se tivesse oportunidade, se absteria.

“Votar em quem? (...) Eu pensei que (a liderança palestina) faria alguma coisa, mas Israel continuou destruindo casas, e a Autoridade Palestina não ajudou ninguém e não tem poder de decisão em Jerusalém”, diz ela.

Mas não é por isso que Wafa vai se juntar aos palestinos de Jerusalém Oriental que pedem a nacionalidade israelense: "Atualmente, não estou disposta a dar meu voto a absolutamente ninguém".

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