Palestinos reagem com moderação à visita do ministro israelense de extrema direita

A visita do novo ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, gerou condenação, mas, por enquanto, não provocou ataques ou tumultos, destacam os analistas.

O político de extrema direita, ministro desde a semana passada, já tinha visitado a Esplanada em várias ocasiões no passado, mas não ocupando cargo do alto escalão.

Conhecido por seus polêmicos discursos anti-palestinos, Ben-Gvir declarou sua intenção de seguir com as visitas ao terceiro local mais sagrado do Islã e o mais importante do judaísmo, localizado na parte palestina de Jerusalém que foi ocupada e anexada por Israel.

Escoltado por agentes israelenses, sua visita na terça-feira (3) lembrou a de Ariel Sharon, em setembro de 2000, que  desencadeou a revolta palestina conhecida como Segunda Intifada (2000-2005).

Na Faixa de Gaza, o movimento islâmico Hamas, que travou quatro guerras contra Israel, chamou a visita de "linha vermelha".

Os braços político e militar do Hamas e as facções armadas palestinas se reuniram em Gaza na terça-feira para decidir uma resposta "proporcional" à "provocação" do ministro, informaram fontes deste movimento à AFP.

Durante a noite, um único míssil foi lançado do enclave contra Israel, mas caiu em território palestino.

O Hamas "não quer uma nova escalada militar e atualmente está considerando as reações americanas e árabes", afirma o professor de ciência política na Universidade Al-Azhar, Jamal al Fadi, à AFP em Gaza.

Os Emirados Árabes Unidos, que normalizaram suas relações diplomáticas com Israel, a Jordânia, o Egito e os outros países do Golfo condenaram a visita, assim como vários países ocidentais, como os Estados Unidos.

- "Provocação" -

O "Hamas busca conseguir benefícios para os cidadãos" de Gaza, atualmente sob bloqueio de Israel e lar de mais de 2,3 milhões de pessoas, e poderia mostrar contenção em sua resposta para tirar proveito nas negociações indiretas com Israel, estima Al Fadi.

Hamas e Israel chegaram a um acordo para amenizar o bloqueio por mediação da ONU, Egito e Catar, principalmente na entrega de autorizações de trabalho para os moradores de Gaza em troca de relativa calma neste território.

"O Hamas não adotará reações emotivas, apenas em caso de repetidos ataques a locais sagrados, no que seria visto como uma grande provocação para os palestinos e o mundo árabe-muçulmano", enfatiza Al Fadi.

Para o jornal israelense Haaretz, a primeira ocasião de risco será "a oração desta sexta-feira" na Esplanada, onde milhares de fiéis se reúnem todas as semanas e onde frequentemente ocorrem confrontos com a polícia israelense.

"Outro problema é que a experiência passada mostra que os incidentes de grande visibilidade no Monte do Templo tendem a encorajar lobos solitários (palestinos) a realizarem ataques", continuou o jornal de esquerda.

Em nome da Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia ocupada, o presidente Mahmoud Abbas disse que deseja recorrer à ONU.

Para várias autoridades palestinas, foi uma "provocação sem precedentes".

De acordo com Nour Odeh, analista palestino, a Autoridade Palestina não está mais em uma posição de força, mas está "consciente de que quanto mais durar esta situação, mais negativa será sua imagem".

Esperar uma resposta imediata à visita do ministro de extrema direita não é "realista", diz este especialista. Mas "Ben-Gvir faz pressão, num momento em que a situação no terreno já é muito intensa".

"Ninguém sabe como será esta explosão" nem quando chegará, alerta.

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