Palmeirenses transformam praça da Tijuca em Maracanã em festa do título da Libertadores

O Globo
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Brenno Carvalho

Não chegou a ser a invasão paulista de outros tempos. Mas o verde tomou conta de alguns bairros do Rio por volta das 17h de sábado e continuou até o fim da noite. Não fosse o sotaque a denunciar - nem tempos de pandemia -, os bares cheios e o clima de festa poderiam ser apenas um fim de semana comum de verão na cidade pós praia. Porém, a cabeçada de Breno Lopes aos 53 minutos do segundo tempo não deixou dúvidas: a explosão, metafórica e literal, e os gritos de "Dale, dale, Porco!" eram a prova de que a Praça Varnhargem, reduto boêmio da Tjuca, havia sido transformada em um mini Maracanã, onde acontecia a final da Libertadores contra o Santos.

Com o Maracanã fechado ao público — ou nem tão fechado assim, vide a aglomeração dos três mil convidados da Conmebol no setor oeste do estádio —, a festa da torcida nas ruas emulou o clima que se espera de um título de tamanha grandeza. Longe das mais de 70 mil pessoas que, em tempos normais teriam lotado o local, os bares abraçaram as centenas de torcedores que queriam “sentir o calor do jogo na sede da final”.

Foi o caso da mineira de Ubá, Pamela Ferreira, de 28 anos, que viajou seis horas de ônibus até o Rio, de madrugada, na expectativa de conseguir um convite até o último minuto. Parte de uma organizada do Palmeiras na sua cidade natal, ela se contentou em ver o jogo pela TV e aproveitar a praia de Copacabana antes da partida:

— É uma emoção muito grande só de estar aqui. Se estivesse no Allianz, na minha casa, com a torcida, seria 10 vezes mais emocionante. Mas estar perto do estádio já dá para sentir um pouco –– disse Pamela, que retorna na tarde deste domingo para casa com sua primeira Libertadores. –– Era muito pequena em 1999, só vi os vídeos.

Chuva de cerveja, sinalizador, rojões, bandeiras do Palmeiras, caras pintadas de verde e o grito de "Bicampeão!" deram a tônica da festa que não seguiu, em momento algum, as recomendações sanitárias e de segurança. O gol nos acréscimos e o álcool levaram embora qualquer cuidado com distanciamento social. Desconhecidos ou não se abraçavam e pulavam, sem máscaras, entre as mesas ou no meio da rua.

De longe, a PM acompanhava a festa, que não teve maiores incidentes de briga. Mas ajudou a Vigilância Sanitária a fechar alguns estabelecimentos que não respeitaram as regras de ouro e tentou pedir silêncio aos torcedores dos dois times - os santistas estavam em menor número - para evitar provocações.