Panamá anuncia congelamento do preço da gasolina e da cesta básica, mas protestos continuam

O anúncio do congelamento do preço da gasolina e de uma dezena de produtos da cesta básica não apaziguou os ânimos no Panamá, que, na terça-feira, registrou os maiores protestos contra o governo do presidente Lauretino 'Nito' Cortizo, eleito em 2019. Diversos pontos da Rodovia Pan-Americana, a principal do país, foram bloqueados e milhares de pessoas tomaram as ruas das principais cidades panamenhas, incluindo a capital.

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Na Cidade do Panamá, manifestantes marcharam do Parque Porras, no Centro, até a Assembleia Nacional, a 1,5 km de distância. Muitos carregavam bandeiras panamenhas e faixas com mensagens como "a corrupção desfalcou minha nação", "queremos governantes honestos" ou "onde está o dinheiro?", em meio a cânticos ao ritmo de panelas e instrumentos musicais.

— O custo de vida é o que mantém as pessoas nas ruas — disse à AFP o manifestante Sergio Gallegos, um indígena da região de Ngäbe-Buglé.

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Na região central de Azuero nem mesmo a forte chuva que caiu na madrugada de terça-feira impediu que estradas e rodovias fossem bloqueadas pelos manifestantes, que contam com o apoio de caminhoneiros, produtores agropecuários e da sociedade civil, informou o jornal Dia a Dia.

Outros pontos que permanecem fechados por tempo indeterminado na região são a travessia para as cidades de Pesé, Pedasí e Macaracas, na província de Los Santos, enquanto marchas pacíficas ocorreram em Ocú e Pesé, na província de Herrera.

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Inúmeros protestos foram registrados nas províncias de Coclé, no Centro do país, e nas províncias de Veraguas e Chiriquí, que fazem fronteira com a Costa Rica, no Leste. Nestas duas últimas, o trânsito foi interrompido em vários trechos da Rodovia Pan-Americana.

Houve protestos em hospitais e policlínicas do distrito de Arraiján, no Oeste, onde a equipe médica e administrativa da policlínica Blas Gómez Chetro, do Fundo de Previdência Social, saiu ao meio-dia para protestar contra a falta de medicamentos e o alto custo dos alimentos.

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Nos últimos dias, também aumentaram as críticas aos altos salários das autoridades e às despesas dos parlamentares. Em La Chorrera, cidade vizinha à capital panamenha, manifestantes atearam fogo em pneus e bloquearam a Rodovia Pan-Americana, uma rota central que liga o Panamá ao resto da América Central. Milhares de motoristas que viajavam para a cidade litorânea de Punta Chame e províncias do interior do país ficaram retidos na madrugada de terça-feira.

Uma greve geral dos trabalhadores da construção civil foi anunciada para esta quarta-feira, enquanto uma greve de professores por tempo indeterminado está em curso desde a semana passada, segundo a imprensa local.

'Apelo à sanidade'

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O ministro da Segurança, Juan Pino, fez um "apelo à sanidade" para que "prevaleça a paz social" sobre "qualquer diferença", face aos vários protestos levados a cabo pelos sindicatos e organizações.

— Como ministro da Segurança Pública, peço sanidade, para que o direito individual e coletivo de cidadania seja mantido acima de condutas que possam manchar o diálogo entre as partes, e que prevaleça a paz social, que todos queremos que prevaleça sobre quaisquer diferenças — afirmou, na noite de terça.

Os protestos ocorreram apesar de Cortizo ter anunciado, na segunda-feira, uma redução no preço do combustível. Segundo o presidente, o preço do galão (3,78 litros) de gasolina custará para todos os usuários US$ 3,95 a partir de sexta-feira, ante os atuais US$ 5,17.

Além disso, o governo panamenho vai congelar, a partir de hoje, o preço de uma dezena de produtos da cesta básica. Uma série de medidas de austeridade também foi anunciadas para reduzir os gastos do Estado, incluindo a suspensão de viagens e subsídios para deslocamentos domésticos e internacionais de parlamentares e suplentes, bem como para pessoal administrativo e consultivo.

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Os sindicatos, porém, exigem que o preço do galão caia para US$ 3 e que haja uma redução geral nos preços dos alimentos, produtos de higiene e medicamentos.

Laurentino “Nito” Cortizo, um político veterano com formação nos Estados Unidos, venceu a eleição presidencial mais acirrada da História do Panamá, em maio de 2019, depois de receber apenas cerca de um terço dos votos (33,2%) em um país dividido sobre sua escolha na votação de turno único. Ele ficou apenas cerca de dois pontos percentuais à frente do segundo colocado, Rómulo Roux, com cerca de 31% do eleitorado.

Durante a campanha, Cortizo prometeu limpar a política do país, cuja imagem foi maculada por um escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht e pelo caso dos Panamá Papers, o vazamento de milhões de documentos que detalham a sonegação fiscal de algumas das pessoas mais ricas do mundo usando a nação famosa por seu canal.

(Com informações da AFP)

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