Panamá: governo pede diálogo enquanto aumentam protestos contra a inflação

AP - Arnulfo Franco

O governo do Panamá convocou uma nova rodada de diálogo nesta quinta-feira (14), após inúmeras manifestações no país. Pela segunda semana consecutiva, os panamenhos saíram às ruas para protestar contra o aumento de preços, especialmente dos combustíveis.

Desde o início de julho, milhares de pessoas, associações e sindicatos se manifestam em várias cidades do Panamá para exigir ações concretas contra a inflação e a corrupção. Eles exigem do presidente Laurentino Cortizo medidas para reduzir, por exemplo, o preço do combustível para US$ 3 (cerca de RS$ 16) e congelar os preços dos produtos da cesta básica.

De janeiro a julho, o preço do galão de gasolina (3,78 litros) subiu 47%. Atualmente, é cotado em US$ 5,17 (R$ 28). Diante dos protestos, o presidente Laurentino Cortizo informou, na terça-feira (12), que o preço do galão passaria para "US $ 3,95 (R$ 21) para veículos particulares em todo o país, a partir de 15 de julho".

O governo ainda anunciou que vai congelar os preços de uma dezena de produtos da cesta básica e prometeu reduzir as despesas com o funcionalismo e reduzir em 10% o número de servidores públicos. Em uma nova rodada de discussões, nesta quinta-feira, Cortizo espera encontrar "soluções viáveis ​​e factíveis em conjunto para os problemas que afligem a sociedade". O encontro será feito com a mediação da Igreja Católica.

Apesar da mensagem, várias organizações populares têm afirmado que as medidas são insuficientes. “A Aliança Nacional do Povo Organizado (ANADEPO) vem exigindo, desde 23 de maio, três medidas para o povo panamenho: a redução do preço dos combustíveis de forma substancial, redução dos preços da cesta básica familiar e o fornecimento de medicamentos ao Fundo de Seguridade Social e ao Ministério da Saúde”, disse Luis Arturo Sánchez, secretário-geral da AEVE (Associação de Educadores), em entrevista à RFI.

Novos sindicatos se juntam aos protestos

Sánchez explica que esses protestos tiveram origem em 23 de maio, quando houve um movimento educacional nacional para exigir medidas para melhorar o poder aquisitivo dos panamenhos. “A greve foi decretada, inicialmente, para os educadores, daí se juntaram outros setores que nada têm a ver com a profissão de docente: agricultores, transportadores, pescadores, estudantes. Agora, médicos e enfermeiros aderiram”, explicou. “Estamos em greve há 12 dias e não recebemos uma resposta que satisfaça a população”, completou Sánchez.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Construção e Similares (Suntracs) aderiu à greve na quarta-feira (13). O aumento de preços "significa que cada vez menos pessoas podem viver de forma digna", disse Saúl Sánchez, secretário-geral da Suntracs.

Em mensagem ao país, o presidente panamenho disse que a complexa situação econômica do país se deve "aos efeitos da pandemia e às consequências do conflito na Ucrânia", indicando haver outros interesses por trás do aumento de preços. “O Panamá não importa combustível da Ucrânia, importa do Alabama, Texas. O que acontece é que existe um oligopólio dos empresários das petroleiras. Eles encurralaram o mercado e estão vendendo o combustível a um preço alto. Anunciam uma redução de combustível que deve durar sete ou oito dias, e então voltam a subir”, frisou o presidente.

O secretário-geral da AEVE comentou que existe a possibilidade de o governo importar combustível de outros países, como a Venezuela, mas que a linha seguida pelo governo panamenho é a dos Estados Unidos.

Por fim, Sánchez explicou que estão abertos ao diálogo e que esperam que o governo converse com eles. “Eles estabeleceram uma guerra midiática e psicológica e não vamos permitir isso. Apelamos à unidade, à sanidade, ao bom senso, à prudência, e pedimos a Deus que ilumine nossos governantes para que vejam o que está acontecendo no Panamá. Que não batam nas pessoas”, ressaltou.

(Com informações da AFP)

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