Conferência de Bruxelas condena uso de armas químicas na Síria

Bruxelas, 5 abr (EFE).- As mais de 70 delegações internacionais presentes na conferência de Bruxelas de apoio à Síria condenaram nesta quarta-feira o uso de armas químicas por parte do regime sírio e dos terroristas do Estado Islâmico (EI), em particular o ataque de ontem com este tipo de armamento no norte do país.

"A conferência condenou o uso de armas químicas pelo governo e pelo EI, como foi identificado pelo Mecanismo Conjunto de Investigação da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) e a ONU (JIM, na sigla em inglês)", e especificamente "os ataques em Khan Sheikhoun de ontem", indica o projeto de declaração da reunião.

"O uso de armas químicas por quem quer que seja, seja onde for, deve parar imediatamente", indicou a alta representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Federica Mogherini, em entrevista coletiva, na qual leu extratos do texto, cuja versão final deve incluir novos compromissos financeiros dos países.

De acordo com a última apuração divulgada hoje pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos, pelo menos 72 pessoas, entre elas 20 menores e 17 mulheres, morreram no suposto bombardeio químico de terça-feira em Khan Sheikhoun, pelo qual o governo sírio e a oposição se acusaram mutuamente.

O ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, afirmou que "estão sendo colocadas diferentes histórias e não podemos ter certeza sobre o que aconteceu", mas se mostrou firme quanto à "responsabilidade" do regime do presidente sírio, Bashar al Assad.

Por sua vez, o titular alemão das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, afirmou que a "Rússia é quem deve de esclarecer o que aconteceu o mais rápido possível".

A conferência respaldou o diálogo patrocinado pela ONU em Genebra entre as partes sírias e deixou claro que "só uma transição política genuína e inclusiva dará fim ao conflito", de acordo com o comunicado de Genebra de 2012 e a resolução do Conselho de Segurança da ONU 2254, que prevê a negociação entre o regime e a oposição.

A conferência "tomou nota" dos US$ 8 bilhões que a ONU solicitou para cobrir as necessidades de assistência e proteção da população na Síria, assim como na Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito em 2017.

Mogherini especificou que foram acertados "passos práticos" para que todas as crianças possam ter acesso a educação, dentro e fora da Síria, a fim de evitar uma "geração perdida". EFE