Panamá novamente envolvido em investigação de lavagem de dinheiro

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Em 2016, os "Panama Papers" revelaram que o escritório de advocacia Mossack Fonseca foi utilizado para evasão fiscal e outros crimes por chefes de estado e de governo, líderes mundiais e personalidades das finanças, esportes e artes (AFP/RODRIGO ARANGUA)

Um escritório de advocacia do Panamá foi identificado neste domingo (3) como um dos envolvidos na criação de empresas de fachada para esconder dinheiro de grandes figuras públicas, prejudicando ainda mais a reputação do país centro-americano, já implicado nos "Panama Papers".

O "Pandora Papers", uma nova investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), aponta o escritório panamenho como um dos criadores de sociedades opacas para ocultar ativos. “Quando a elite latino-americana quis esconder sua riqueza, recorreu a esta firma do Panamá”, disse o ICIJ em referência à Alemán, Cordero, Galindo e Lee (Alcogal).

De acordo com a investigação, baseada no vazamento de 11,9 milhões de documentos de 14 empresas de serviços financeiros em vários países, companhias fantasmas foram estabelecidas por meio da Alcogal "para 160 políticos e funcionários públicos". Entre essas autoridades, haveria "alguns acusados de saquear seus países".

A Alcogal atendeu, segundo o grupo jornalístico, figuras envolvidas em alguns dos escândalos mais notórios da América Latina, como o esquema de suborno da construtora brasileira Odebrecht, o "saque de bens públicos venezuelanos" e a "Fifagate".

Este escritório teria servido também para a criação de empresas para o rei da Jordânia, Abdullah II, assim como do primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babis, e do presidente de Montenegro, Milo Djukanovic.

Três ex-presidentes do Panamá - Ernesto Pérez Balladares, Ricardo Martinelli e Juan Carlos Varela - e um de Honduras, Porfirio Lobo, também teriam recorrido à firma.

Varela reconheceu em nota ser acionista da empresa a que está ligado, mas garantiu que ela é "transparente". Por sua vez, Martinelli negou ser cliente da Alcogal e afirmou que o relatório contou com a colaboração de “alguns panamenhos socialmente ressentidos”.

A firma de advocacia rejeitou as acusações e anunciou possíveis medidas judiciais para defender sua reputação. “A Alcogal rejeita as conjecturas, imprecisões e falsidades das publicações”, disse a empresa, que se ofereceu para cooperar com as autoridades para apurar possíveis irregularidades.

- Outro golpe para o Panamá -

Esta é a segunda vez que um escritório de advocacia panamenho se envolve em um escândalo internacional sobre ocultação de fortunas. Em 2016, o país foi o epicentro dos chamados “Panama Papers”, outra investigação do ICIJ baseada no vazamento de 11,5 milhões de documentos da firma Mossack Fonseca, que teve que fechar as portas após o escândalo.

A investigação revelou a ocultação de propriedades, empresas, ativos, lucros e evasão fiscal de chefes de estado e de governo, líderes da política mundial, personalidades das finanças, esportes e artes.

Em nota no domingo, o governo panamenho de Laurentino Cortizo afirmou estar trabalhando para "neutralizar as repercussões negativas de qualquer escândalo tangencial ou conjuntural no qual queiram envolver o país".

Também indicou que entrou em contato com a gestão do ICIJ, a quem solicitou “evitar referências sem justificativa informativa associadas ao país". Segundo o governo, o pedido é feito “sem prejuízo da liberdade de imprensa e informação” e com o intuito de “evitar avaliações sensacionalistas como as que nos causaram grandes prejuízos no passado”.

A carta também destacou algumas reformas legais realizadas após os “Panama Papers”, embora o país continue na lista de paraísos fiscais da França e da União Europeia.

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