Número de alunos entre 6 e 14 anos fora da escola cresceu 171% na pandemia

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Students attend a class on the first day of schools regaining full capacity since the beginning of the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, in Sao Paulo, Brazil October 18, 2021. REUTERS/Carla Carniel
Alunos de uma escola de São Paulo no retorno às classes presenciais, em outubro. Foto: REUTERS/Carla Carniel.
  • São 244 mil jovens fora das salas de aula

  • Levantamento foi feito pelo movimento Todos Pela Educação

  • Há preocupação também com queda no rendimento escolar

Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (2) revelou que cerca de 244 mil estudantes de 6 a 14 anos estavam fora das escolas brasileiras no segundo trimestre de 2021. Em relação a 2019, o número cresceu 171,1% dos 90 mil jovens afetados naquele ano. Os dados são do movimento Todos Pela Educação.

"Em termos relativos, o percentual de crianças e jovens nesta faixa etária que não estavam frequentando a escola era de 0,3% em 2019 e passou para 1% em 2021, sendo a maior taxa observada nos últimos 6 anos", diz nota técnica do movimento. Os dados foram computados a partir das informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada pelo IBGE.

A Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), em parceria com o Cenpec Educação (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), já havia revelado que dos mais de 5 milhões de alunos sem acesso à educação em 2020, 40% tinha entre 6 e 10 anos de idade.

Antes da pandemia de coronavírus, essa faixa etária estava com o acesso à educação praticamente universalizado.

O movimento aponta que no pós-pandemia, será necessário lidar com os altos índices de evasão e abandono escolar.

“Esses dados começam a dar a dimensão do problema que vamos ter, especialmente no ano que vem, durante o período de rematrícula. Temos um primeiro sinal de que o impacto vai ser grande, tanto de alunos fora da escola, quanto daqueles que estão com defasagem na aprendizagem”, explica Gabriel Corrêa, gerente de Políticas Educacionais do Todos pela Educação em entrevista ao portal UOL.

Já na faixa etária um pouco acima, entre 15 e 17 anos, há aproximadamente 407,4 mil estudantes fora do ambiente escolar. O número caiu desde 2019, quando eram mais de 670 mil.

Corrêa avalia que os dados do ensino médio ainda não traduzem os desafios impostos pela pandemia e precisam ser lidos com cuidado.

"As famílias de crianças mais novas indicaram o abandono, enquanto os jovens por mais que não estivessem acompanhando as aulas, ainda se consideram das escolas. É preciso acompanhar de perto", disse.

Maior evasão são entre alunos negros e de baixa renda

As razões para sair da escola ao longo da pandemia foram principalmente a necessidade de trabalhar para ajudar na renda familiar e a falta de acesso à internet, essencial para a realização das aulas remotas.

Uma pesquisa do Plano CDE mostrou que as famílias de estudantes negros têm 63% mais chances de temer a evasão de seus filhos do que pais de jovens brancos. Quando se inclui a dimensão econômica, 50% das famílias com renda de até dois salários mínimos temem a desistência escolar dos filhos.

Sobre isso, Côrrea defende a coleta de dados "consolidados, informativos de todos os alunos que atendem" para que se possa identificar quem são os estudantes em evasão e os que correm o risco.

"São problemas educacionais, de alunos que não enxergam sentido em continuar já que estão atrasados na aprendizagem, mas há problemas sociais", pontua. "Educação precisa trabalhar com assistência social e a Saúde, por exemplo".

Outra informação trazida pela pesquisa do Todos Pela Educação é que houve um aumento no número de estudantes com idade entre 6 a 14 anos que frequentam a pré-escola, etapa destinada a crianças de 4 e 5 anos. De 2019 para 2021, o número saltou de 396,8 mil para cerca de 702,7 mil, o maior valor absoluto desde que o levantamento começou, em 2012.

Além disso, o número de alunos com idade entre 15 e 17 anos - que deveriam estar no Ensino Médio - que estão em outras etapas, como Ensino Fundamental ou EJA (Educação de Jovens e Adultos), chegou a 1,9 milhão este ano. Em 2020, eram 1,6 milhão.

"Não é só estar na escola, mas estar no ano escolar em que se é esperado. Precisamos olhar para a trajetória desses estudantes", disse Corrêa.

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