Pandemia causou 1,4 milhão de gravidezes indesejadas no mundo, diz ONU

O Globo
·2 minuto de leitura

Um estudo divulgado nesta sexta-feira (12) pelo Fundo de População da ONU (UNFPA, na sigla em inglês) estima que as interrupções em serviços de saúde reprodutiva por conta da pandemia de Covid-19 levaram cerca de 1,4 milhões de meninas e mulheres a enfrentarem gravidezes não desejadas em 2020.

O UNFPA, agência da ONU que trata de saúde sexual e reprodutiva, analisou 115 países de renda baixa e média, incluindo o Brasil, para concluir que, nesses lugares, as mulheres enfrentaram uma interrupção média em seus serviços de planejamento familiar de 3,6 meses ao longo do ano passado, com as piores interrupções concentradas entre abril e maio do ano passado. Com isso, cerca de 12 milhões de mulheres perderam acesso a serviços de planejamento familiar, como contraceptivos, o que levou a cerca de 1,4 milhão de gravidezes não intencionais.

Essas projeções usam bases de dados diversas, entre elas dados anônimos e agregados do Google Mobility, além da coleta de dados feita pelos escritórios do UNFPA ao redor do mundo e de indicadores do uso de contraceptivos. Os dados foram compilados pelo UNFPA e a Avenir Health.

No começo da pandemia de Covid-19, o UNFPA alertou que o novo coronavírus representava uma ameaça para a produção e o fornecimento de contraceptivos. A agência da ONU é o maior comprador desse tipo de medicamento nos países em desenvolvimento. Uma pesquisa prévia, realizada em abril de 2020, previu que três meses de lockdown levariam a algo entre 13 milhões e 44 milhões de mulheres sem acesso à contracepção, dependendo da severidade da interrupção.

A pandemia de Covid-19 colocou os sistemas de saúde de diversos países sob uma pressão raras vezes vista, com muitos deles desviando recursos dos serviços de saúde reprodutiva para o tratamento da Covid-19. O isolamento social e as restrições de circulação e viagem também deixaram muitas mulheres sem condições de ir até as unidades de saúde.

No caso brasileiro, o UNFPA afirma que a maior preocupação com o acesso aos serviços de saúde reprodutiva tem sido em relação a regiões afastadas ou de difícil acesso, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. Em 2020, a agência da ONU desenvolveu um projeto na Ilha de Marajó, no Pará, para mitigar os efeitos da pandemia na saúde sexual e reprodutiva de meninas e mulheres. O Saúde das Manas abrange telemedicina, ações de comunicação comunitária e entrega de contraceptivos em residências cadastradas.