Pandemia de coronavírus leva pessoas a estocarem mais comida e água

Gabriel Martins

RIO — A pandemia de coronavírus deve ocasionar prejuízos não apenas no cenário macro das economias mundiais, mas também nos hábitos da população. De acordo com levantamento da consultoria Ipsos, com 12 países da Europa, Ásia e América do Norte, 23% declararam ter começado a estocar alimentos especificamente para se proteger do surto da doença.

Os países que mais aderiram à medida foram China (42%), Índia (32%) e Vietnã (30%). Na outra ponta do ranking, Japão (6%), Rússia (12%) e França (14%) não compartilham da mesma preocupação.

A água também é um item de primeira necessidade que está sendo estocado por 15% do total de entrevistados. Encabeçam a lista Índia (34%), Vietnã (24%) e Estados Unidos (23%). Por outro lado, Japão (3%), Reino Unido (6%) e França (7%) fecham o ranking.

A pesquisa também mostra que a maioria dos entrevistados creem que o surto de covid-19 impactará negativamente o seu orçamento e de suas famílias. No caso da China, nove em dez entrevistados compartilham dessa ideia.

O pessimismo chinês é compartilhado com os vietnamitas. No país no sudeste asiático, 89% dos entrevistados também afirmaram que o coronavírus acarretará impacto financeiro nos lares locais. Na Índia e na Itália, três em cada quatro pessoas (75% dos ouvidos em cada país) concordam com a premissa.

Completam o ranking Japão (68%), Austrália (65%), Rússia (63%), Canadá (60%), Estados Unidos (57%), França (54%) e Reino Unido (50%). Na última posição, a Alemanha é a única nação onde menos da metade dos participantes da pesquisa acredita que a pandemia deve ser prejudicial aos orçamentos familiares, com 40% de concordância com a frase.

Comércio virtual

Os participantes da pesquisa, especialmente os ouvidos de países da Ásia, relataram o uso do comércio por meio da internet (e-commerce) para comprar produtos que normalmente adquiririam em lojas físicas. Do total, 57% dos vietnamitas, 55% dos indianos e 50% dos chineses declararam optar pela compra online com maior frequência, em vista da pandemia.

Em contrapartida, o e-commerce é uma opção frequente para apenas 12% dos alemães e 16% dos franceses e canadenses.

O levantamento da Ipsos foi feito online, entre os dias 12 e 14 de março e contou com a participação de cerca de 12 mil pessoas, com idades de 16 a 74 anos. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.