Pandemia de covid-19 interfere na luta mundial contra o sarampo

Agnès PEDRERO
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Uma publicação conjunta da OMS e dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA disse que após anos de declínio até 2016, os casos de sarampo aumentaram desde então
Uma publicação conjunta da OMS e dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA disse que após anos de declínio até 2016, os casos de sarampo aumentaram desde então

Os esforços para combater a pandemia de covid-19 bloquearam as campanhas de vacinação contra o sarampo em duas dezenas de países, afetando 94 milhões de pessoas, alertaram a OMS e as autoridades de saúde dos Estados Unidos nesta quinta-feira (12). 

A gravidade da situação pode ser vista nas estatísticas segundo as quais o sarampo matou 207.500 pessoas em 2019, um saldo 50% superior ao de quatro anos antes. 

Desde "antes da crise do coronavírus, o mundo estava preso à uma crise de sarampo, que não passou", disse Henrietta Fore, diretora-executiva do Unicef. 

A Organização Mundial da Saúde e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos alertam que "em novembro, mais de 94 milhões de pessoas corriam o risco de não serem vacinadas conforme o planejado devido à interrupção de campanhas de controle do sarampo em 26 países". 

Dos países que adiaram as campanhas programadas para 2020, apenas oito - Brasil, Etiópia, Nepal, Nigéria, Filipinas, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Somália - voltaram a vacinar. 

O sarampo progrediu em todas as regiões, e grandes epidemias foram registradas na República Democrática do Congo, Madagascar, Ucrânia, Ilhas Samoa e Brasil. 

No total, quase 870.000 casos de sarampo foram notificados em 2019, o maior número registrado desde 2016. 

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, “esses dados mostram claramente que não estamos protegendo as crianças contra o sarampo”. E "nós sabemos como prevenir surtos de sarampo e mortes", acrescentou. 

O sarampo, caracterizado pela erupção de manchas vermelhas na pele, é causado por um vírus que se transmite facilmente por contato direto ou pelo ar. 

A maioria das mortes se deve a complicações da doença e entre as mais graves a OMS cita cegueira, encefalite, diarreia, infecções de ouvido e infecções respiratórias graves, como a pneumonia.

- Desconfiança antivacinas -

Antes da vacinação ser introduzida em 1963 e se espalhar, grandes epidemias ocorreram a cada 2 a 3 anos, podendo ter causado mais de 2,5 milhões de mortes. 

Depois de uma queda espetacular de casos entre 2000 e 2016 graças a grandes campanhas de vacinação, o sarampo tem experimentado um forte ressurgimento no mundo, devido à vacinação insuficiente ligada em particular, em alguns países e comunidades, à desconfiança em relação às vacinas. 

Essa desconfiança em relação à vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola foi motivada por um estudo de 1998 que relacionou a vacina ao autismo. No entanto, foi rapidamente estabelecido que o autor da suposta pesquisa havia falsificado seus resultados e, desde então, vários estudos mostraram que a vacina não aumenta o risco de autismo. 

A proporção da população mundial que recebeu a primeira dose da vacina (das duas recomendadas) estagnou há dez anos entre 84% e 85%, e a da segunda dose é de 71%. Para prevenir epidemias, a meta é de 95%. 

Os seis países com o maior número de bebês que perderam a primeira dose em 2019 são Nigéria, Etiópia, República Democrática do Congo, Paquistão, Índia e Filipinas. 

“Devemos trabalhar coletivamente para apoiar os países e envolver as comunidades para vacinar todos, em todos os lugares, contra o sarampo e deter este vírus mortal”, insistiu o chefe da OMS.

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