Pandemia de Covid-19 pode se estender por anos na África, diz OMS

Agências internacionais

NAIRÓBI - A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a pandemia de Covid-19 pode matar até 190 mil pessoas nos próximos 12 meses no continente africano. Um estudo publicado nesta quinta-feira indica ainda que a probabilidade de o novo coronavírus se tornar "um surto prolongado durante vários anos" é grandes.

O trabalho divulgado pela OMS prevê ainda que entre 29 milhões e 44 milhões de pessoas possam ser infectadas no primeiro ano da pandemia no continente, se as medidas de contenção falharem. Diante disso, a organização pede uma "abordagem proativa" de testagem da população, acompanhada de isolamento e tratamento adequado dos casos.

Se as previsões se confirmarem, o elevado número de casos “sobrecarregaria a capacidade médica disponível em grande parte da África”, onde há uma média de apenas nove leitos de UTI por milhão de pessoas, destaca a OMS.

O estudo foca em 47 países da África, com uma população total de um bilhão de pessoas. Apesar de revelar uma taxa de transmissão mais lenta e de mortalidade inferiores às de outras partes do mundo, a permanência do surto é o que preocupa:

- Embora seja pouco provável que a Covid-19 se espalhe tão exponencialmente na África como em outras partes do mundo, é possível que exploda em pontos críticos de transmissão - declarou Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para a África, em entrevista coletiva virtual.

De acordo com o novo estudo da OMS, o número de casos que exigirão hospitalização ultrapassa consideravelmente as capacidades médicas de muitos países. Calcula-se que cerca de 3,6 milhões e 5,5 milhões de pessoas necessitarão hospitalização.

Mais de 51 mil pessoas já foram infectadas na África e 2.012 morreram. O número total de casos aumentou bastante na semana passada. A estimativa, segundo Moeti, é de que o pico da doença será atingido entre quatro e seis semanas, “se nada for feito".

A maioria dos países impôs bloqueios de severidade variável que parecem ter retardado a propagação do vírus. As projeções, segundo a organização, eram de que o continente já estaría em uma “situação de guerra”, mas, “as taxas de transmissão são mais baixas do que as que já vimos em outros lugares".