Pandemia estimula criminosos a criarem mais armadilhas na internet. Saiba como se proteger

Dimitrius Dantas 
·4 minuto de leitura
Site falso simulando a página da Caixa para capturar dados do auxílio emergencial
Site falso simulando a página da Caixa para capturar dados do auxílio emergencial

SÃO PAULO - Das ruas para a internet: da mesma forma que a maioria da população teve que alterar seus hábitos e fazer tudo remotamente, a criminalidade também está investindo em crimes digitais.

De acordo com um levantamento inédito da NewSpace, empresa de tecnologia especializada em gestão de serviços de crédito, RH, cartões e segurança cibernética, os crimes digitais aumentaram, enquanto os tradicionais diminuíram.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os crimes patrimoniais, como roubos e furtos, caíram até 65% em meio ao surto da Covid-19. Por outro lado, segundo o estudo da NewSpace, os criminosos se aproveitaram da fragilidade econômica para lucrar na internet.

O crime que mais aumentou, segundo o monitoramento feito pela empresa, foi a criação de websites falsos. A maioria deles se passava por instituições financeiras, tanto privadas como públicas, e ofereciam empréstimos fraudulentos ou acesso aos benefícios oferecidos pelo governo durante o período, como o auxílio emergencial.

O número de sites do tipo saltou 96%, de 57 para 112, entre o primeiro semestre de 2019 e o deste ano. O aumento também foi observado para todos os outros tipos de ataques, como vírus, phishing (tentativa de obter dados pessoais) e vazamentos.

Em junho, O GLOBO revelou também o aumento considerável de casos de hacktivismo.

— Para nós, o aumento não foi nenhuma surpresa, até por que o negócio não pode parar: se não dá para ir ao banco fisicamente, os criminosos vão virtualmente — afirma Thiago Bordini, diretor de Inteligência Cibernética da NewSpace.

Investigação em SP

Esta semana, uma operação da Polícia Civil de São Paulo deixou clara a dimensão que os crimes digitais podem chegar. Batizada de Operação Peregrino, a investigação desarticulou uma quadrilha que funcionava em um bairro da periferia da Zona Leste de São Paulo.

O grupo é acusado de invadir o e-mail de um grande escritório de advocacia para a extorsão de um advogado. Além disso, os criminosos realizavam golpes por meio de aplicativos de mensagem como o WhatsApp, em que se passavam por outra pessoa pedindo depósitos aos amigos.

Na casa de uma das suspeitas, foram apreendidos 200 chips eletrônicos de celular e anotações que indicavam quando cada um dos números havia sido utilizado. O GLOBO apurou que as investigações apontam uma movimentação bancária de mais de R$ 300 mil na conta de um dos suspeitos.

Os valores, porém, não surpreendem. Alguns dos criminosos que lançam mão desse golpe costumam focar em pessoas conhecidas ou com alto poder econômico.

Atualmente, há investigações de golpes similares aplicados em grupos de médicos durante a pandemia. Um integrante do governo estadual também teve seu número clonado: passando-se por ele, os criminosos conseguiram depósitos em quantias consideráveis.

De acordo com policiais, o número de casos de roubo de celulares vem aumentando nos últimos meses. Para conseguir acesso ao aplicativo, os criminosos se passam por funcionários de empresas.

Na ligação, afirmam que é necessária a confirmação de um código recebido por SMS. O número, no entanto, permite acesso a aplicativos de mensagem.

No último dia 6, o Hospital Sírio-Libanês, um dos principais de São Paulo, foi alvo de um ataque mais sofisticado: um ransomware teria entrado nos servidores do estabelecimento.

Ransomwares são vírus que bloqueiam um ou mais sistemas e cobram um pagamento para que o acesso seja restabelecido. Segundo a empresa, não há indícios de que os hackers tiveram acesso a informações sensíveis. Segundo Bordini, esse foi apenas um dos ataques.

— Nós monitoramos vários exemplos de ataques ao setor de saúde, de todo o tipo. E, para nós, este é o pior dos mundos, porque todos estão passando por um momento crítico, e qualquer informação que saia pode comprometer — afirma.

Auxílio emergencial

Apesar dos ataques de grande porte, os mais vulneráveis a golpes desse tipo são pessoas de baixa renda. O número de fraudes na aplicação do auxílio emergencial oferecido pelo governo federal indicam que muitos dos benefícios concedidos podem ter ido parar nas mãos erradas.

O levantamento da NewSpace coletou uma série de sites falsos que eram similares aos da Caixa Econômica Federal. Da mesma forma, os criminosos também criavam aplicativos falsos. Copiando a identidade visual dos sites do banco, as vítimas inseriam seus dados pessoais no sistema falso.

De posse dessas credenciais, os criminosos faziam o cadastro no sistema oficial e, assim, acessavam o benefício no lugar da vítima.

Outro golpe do mesmo tipo oferecia empréstimos fraudulentos. Para a liberação do empréstimo, os fraudadores solicitavam o depósito de uma quantia em uma conta indicada. Alegadamente, o valor seria destinado ao pagamento de taxas, garantias ou avalista.

— No processo de entender o modus operandi dos grupos, tivemos acesso aos contratos, e eram, de fato, os contratos usados por essas instituições. A única diferença era que esses documentos, claro, não iam para frente — diz Bordini.

O que fazer para se proteger

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