Pandemia faz produção industrial cair 9,1% em março

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(Março de 2020) Sem-teto passa em frente a um estacionamento fechado em São Paulo, após o governo da cidade decretar o fechamento de serviços não-essenciais
(Março de 2020) Sem-teto passa em frente a um estacionamento fechado em São Paulo, após o governo da cidade decretar o fechamento de serviços não-essenciais

A produção industrial no Brasil caiu 9,1% em março em relação a fevereiro, devido ao impacto das medidas de isolamento social adotadas para conter a pandemia de coronavírus, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira.

O resultado mostra uma queda muito mais acentuada do que os 3,7% esperados em média por analistas e instituições financeiras consultadas pelo jornal econômico Valor.

Em relação a março de 2019, a queda foi de 3,8%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até o momento neste ano, a queda é de 1,7% e, no acumulado de 12 meses, chega a 1%.

"O impacto da pandemia é evidente ao comparar [março] com o mês de fevereiro, uma vez que a taxa é fortemente negativa e representa a queda mais intensa desde maio de 2018 [-11%], quando ocorreu a greve dos caminhoneiros" que paralisou o país, explicou o responsável pelo relatório, André Macedo.

Esse impacto é visto tanto na magnitude do retrocesso "quanto em sua extensão por diversas atividades", acrescentou.

As quatro categorias econômicas analisadas sofreram quedas: produção de bens de capital (-15,2%), bens de consumo (-14,5%), bens intermediários (-3,8%) e de semiduráveis ou semelhantes (-12%).

O setor mais afetado foi o de automóveis, reboques e carroçaria (-28%).

Isso se deve às medidas de quarentena adotadas em vários estados "fazerem com que muitas empresas interrompam seu processo produtivo, concedendo férias coletivas ou paralisando suas atividades por períodos", explicou Macedo.

A crise da saúde intensificou as tensões entre os governadores de grandes estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, favoráveis às medidas de isolamento social, e o presidente Jair Bolsonaro, que as considera um remédio que poderia ser "pior do que a doença" devido às suas consequências econômicas.

A pandemia de COVID-19, que desde seu surgimento na China em dezembro deixou mais de 250.000 mortos e 3,5 milhões de infectados (principalmente nos EUA, Europa e Ásia), está em plena fase de expansão no Brasil, onde se espera que atinja seu pico neste mês e no próximo.

Até o momento, causou 7.321 mortes e mais de 107.000 casos confirmados, embora estes números sejam considerados de doze a quinze vezes menores do que a realidade, devido à falta de material para realizar testes em massa.