'Pandemia não é castigo de Deus', afirma Frei Betto, que lança diário com seus escritos do confinamento

Bruno Alfano
·1 minuto de leitura
João Laet/Divulgação
João Laet/Divulgação

RIO — Escrever manteve Frei Betto são durante o período em que ficou preso durante a ditadura militar. Quando se viu novamente isolado — agora por conta da quarentena imposta pelo coronavírus — ele passou dia após dia com papel e caneta à mão. Dos escritos, nasceu “Diário de quarentena – 90 dias em fragmentos evocativos” (Rocco), lançado este mês.

— Ao contrário de diários célebres, como o do Defoe (“Diário da peste de Londres”, de Daniel Defoe, de 1722), não quis ser eu o personagem principal. O livro é uma série de evocações, memórias e ensaios — afirmou Frei Betto.

Em entrevista por telefone, o frade dominicano, doutor honoris causa em Filosofia, pela Universidade de Havana, e em Educação, pela Universidade José Martí de Monterrey, revela sua falta de otimismo, o prazer da escrita e divide uma certeza: a pandemia não tem nada a ver com Deus.

— Não sou um otimista. Sempre digo: “Guardemos o pessimismo para dias melhores”, mas creio que não sairemos melhores da pandemia — alertou Frei Betto, para quem "a pandemia não é, de jeito nenhum, um castigo de Deus".