Pandemia provocou perda do equivalente a 255 milhões de empregos no mundo em 2020

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Entregador de comida em rua de Bangcoc, capital tailandesa

A pandemia de covid-19 causou "danos maciços" ao emprego, com uma perda equivalente a 255 milhões de postos de trabalho em 2020, informou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta segunda-feira (25).

No conjunto de 2020, "8,8% das horas de trabalho foram perdidas em todo o mundo [em relação ao quarto trimestre de 2019], o que equivale a 255 milhões de empregos a tempo integral", ou seja, quatro vezes mais do que durante a crise financeira de 2009, ressaltou a agência especializada da ONU.

Se não forem considerados os planos de apoio econômico recentes, essas perdas em massa causaram uma queda de 8,3% na renda mundial do trabalho, ou seja, 3,7 trilhões de dólares, ou 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo a OIT.

Para esta organização, no entanto, o impacto da pandemia no desemprego está subestimado.

Das perdas de emprego, 71% (81 milhões de pessoas) deve-se mais a "uma saída da força de trabalho, do que ao desemprego propriamente dito; ou seja, houve uma saída do mercado de trabalho por não poder trabalhar, provavelmente devido às restrições da pandemia, ou porque as pessoas afetadas deixaram de buscar trabalho", indica a OIT.

Desde que a covid-19 foi detectada na China no final de 2019, a pandemia mergulhou o mundo em uma grave crise econômica, além de ter causado mais de 2,1 milhões de mortes e cerca de 100 milhões de casos.

- "Recuperação relativamente sólida" -

Para 2021, a OIT destaca que a maioria dos países "vão vivenciar uma recuperação relativamente sólida na segunda metade do ano, uma vez que os programas de vacinação comecem a fazer efeito".

O Observatório da OIT previu três possíveis cenários de recuperação. O caso de referência prevê uma perda de 3% das horas de trabalho em todo o mundo em 2021, sempre e quando a pandemia estiver sob controle e a confiança dos consumidores e das empresas aumentar.

As regiões mais afetadas serão América, Europa e Ásia Central.

"Estamos diante de um dilema: uma opção leva a uma recuperação desigual e insustentável, com a desigualdade e instabilidade cada vez maiores, o que pode agravar a crise", alerta Guy Ryder, diretor-geral da OIT.

A outra opção se baseia em "uma recuperação centrada nas pessoas, com o objetivo de reconstruir melhor e promover o emprego, a renda e a proteção social, assim como os direitos dos trabalhadores e o diálogo social", acrescenta.

- "Geração perdida" -

Enquanto analisa quais medidas serão tomadas para impulsionar a recuperação econômica, a OIT destaca que as mulheres foram mais impactadas pela pandemia do que os homens.

"Em particular, as mulheres têm muito mais probabilidades do que os homens de sair do mercado de trabalho e deixar de fazer parte da força de trabalho", diz o organismo.

Os trabalhadores mais jovens também sofreram as consequências, seja pela perda de emprego, pela saída do setor ativo, ou pela incorporação tardia ao mesmo, de acordo com o relatório, que fala do "risco muito alto de uma geração perdida".

A taxa de ocupação dos jovens (de 15 a 24 anos) diminuiu em 8,7%, contra 3,7% no caso dos adultos.

Os setor mais afetado foi o da hotelaria e restaurantes, que perdeu um quinto de seus empregos.

Por outro lado, a OIT destaca um aumento na taxa de ocupação no segundo e terceiro trimestres de 2020 no setor da informação e da comunicação, assim como no das finanças e seguros.

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