Pandemia registra mais de 400 mil casos de coronavírus na América Latina e Caribe

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RIO – América Latina e Caribe passaram dos 400 mil casos de contágio pelo novo coronavírus e causou a morte de 23.091 pessoas na região, segundo contagem da AFP baseada em dados oficiais. No total, até as 4h (horário de Brasília) desta quarta-feira, a região somava 402.764 casos de contágio. O Brasil é o país mais atingido, com quase metade dos casos da América Latina e Caribe. E, na esteira desta tragédia na saúde, vem a dificuldade econômica para sobreviver em plena pandemia.

Assim, o braço da Organização das Nações Unidas para o desenvolvimento econômico da América Latina e do Caribe (CEPAL) instou os governos da região a criar uma renda emergencial que permita que os setores mais atingidos da população consiga se sustentar por, inicialmente, cerca de seis meses mas, no futuro, para servir como base para uma renda básica verdadeiramente universal para todos os habitantes da região. A ideia impactaria cerca de 215 milhões de pessoas (um terço da população) que estão abaixo da linha da pobreza (143 dólares para a média regional).

– Os governos devem garantir transferências temporárias de renda para atender às necessidades básicas e sustentar o consumo das famílias. É a saída, pelo menos enquanto não houver atividade econômica – enfatizou a secretária executiva da agência, Alicia Bárcena.

Já existem 23 países na região que implementaram programas de transferência direta para os setores mais vulneráveis, mas os valores e a cobertura estão longe de serem suficientes:

– Estes são passos importantes, mas devemos ir além.

Até agora, as autoridades brasileiras registraram 177.589 infectados e 12.400 mortos pela Covid-19. Nos últimos quatro dias, o país registrou uma média semanal de mais de 8 mil casos diários do novo coronavírus, segundo balanço da AFP.

O segundo país com mais casos é o Peru, que registrou 72.057 infecções e 2.057 mortes. O México é o terceiro país da região com mais casos, 38.324, e o segundo em número de óbitos, com 3.926. O Chile tem 31.721 casos e 335 mortes.

No Equador, as autoridades revisaram o número de contágios para baixo nos últimos dias, para eliminar dados duplicados. Com isso, o número de infecções chega a 30.419. Já o número de mortos aumentou, e agora está em 2.327.

Os outros países com mais casos registrados são Colômbia, com 11.063 e 463 mortes, República Dominicana (10.900 e 402), Panamá (8.783 e 252) e Argentina (6.550 e 319).

O número de casos positivos diagnosticados reflete apenas uma parte do número total de infecções, devido às diferentes políticas adotadas por cada país para diagnosticar infecções. Alguns contabilizam somente os que precisaram de internação.

No mundo todo, mais de 4,2 milhões de pessoas foram infectadas com o novo coronavírus, que apareceu na China no final de 2019. Destas, mais de 290.000 morreram com a doença, e mais de 1,4 milhão se recuperaram.

O custo da medida proposta pela CEPAL varia muito, dependendo do grupo populacional que receberia a transferência mensal e do período de tempo em que ela estiver em vigor.

Se fosse restrito às pessoas em situação de pobreza, por meio ano, como recomendado inicialmente pelo organismo, seria 3,4% do PIB; se fosse universal (para todos os cidadãos), 9,8%.

De acordo com a CEPAL, a importância dessa renda emergencial reside, acima de tudo, na alta preeminência da pobreza, que crescerá com a pandemia, e no alto nível de informalidade, que afeta mais da metade dos latino-americanos.

– O objetivo estratégico de longo prazo deve ser a renda básica universal. Seria libertador. Daria às pessoas liberdade para não estarem em uma sobrevivência precária. E temos que avançar gradualmente em direção a isso – afirmou a chefe da CEPAL.

De acordo com seus cálculos, no México, uma transferência mensal para todos os cidadãos de US $ 73 por mês (o custo da cesta básica em áreas urbanas) envolveria um desembolso de cerca de 10% do PIB. Esta medida é viável do ponto de vista dos gastos públicos?

– Acreditamos que há espaço para fazê-lo na região. Por enquanto, podemos evitar a sonegação e evasão de impostos, que está custando à região 6,3% do PIB, metade da despesa social média dos governos – diz Bárcena.

A CEPAL também apela a um novo pacto social e fiscal, com cobrança progressiva e que inclua o 1% dos mais ricos:

– Que os ricos paguem – disse.

Segundo os dados mais recentes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o hiato da recadação entre a média regional e os países ricos está ancorado há uma década.

Na crise da dívida latino-americana da década de 1980, quando a taxa de pobreza subiu acima de 50%, a região levou um quarto de século para retornar aos níveis anteriores.

Desta vez, com o flagelo severo do coronavírus na economia, a escassez passará de 30,3% para 34,7%, o nível mais alto em 13 anos: 214 milhões de pessoas ficariam abaixo desse limite se as medidas não forem implementadas.

No caso de extrema pobreza, o aumento passará de 11% para 13,5%, indo de 67 para 83 milhões de pessoas, segundo dados da CEPAL.

– É algo muito sério: o que fazemos hoje nos levará ou não a cair em uma nova década perdida – enfatiza Bárcena, que aponta que a queda nas remessas que os imigrantes nos Estados Unidos e na Europa enviam para suas famílias contribuirá claramente nessa dinâmica.

Até agora, os governos latino-americanos implementaram cinco tipos de medidas, de acordo com os dados coletados pela CEPAL: transferências de dinheiro e alimentos (a modalidade escolhida pela maioria dos países da região, para a qual eles usam, em média, 0,7% do PIB, o dobro do que antes da pandemia), provisão de serviços básicos, mecanismos de proteção social para trabalhadores formais e outros apoios diretos.

– Estamos especialmente preocupados com os trabalhadores informais. Eles são mais da metade da população e não podem gerar renda agora, nem têm poupança. Para os pobres, as quarentenas são mais difíceis de cumprir e têm piores consequências.