Pandemia se agrava em Índia e Américas e segunda onda ameaça Europa

Funcionária do hotel de luxo Suryaa, em Nova Délhi, higieniza o banheiro de um quarto que será destinado a doentes com o coronavírus que devem permanecer em quarentena, em 19 de junho de 2020

A pandemia se propaga pela Índia, onde levará semanas para atingir o pico, e, nas Américas, em particular nos Estados Unidos e em países como Brasil, Argentina e México, enquanto os países europeus que abriram as fronteiras tentam conciliar coronavírus e turismo.

A Índia ultrapassou 500.000 infectados com o novo coronavírus - apontam dados do governo divulgados neste sábado (27), os quais mostram um salto recorde diário de 18.500 novas infecções. O governo informou que 385 novas mortes foram registradas nas últimas 24 horas, elevando o saldo de óbitos para 15.685.

De acordo com epidemiologistas, ainda faltam semanas para se chegar ao ponto crítico, o que significa que o país pode passar de um milhão de infectados antes do final de julho. O país se encontra na fase de desconfinamento, mas alguns Estados estão considerando a possibilidade de reintroduzir a medida, diante do crescente número de casos de contágio.

O novo coronavírus circula de maneira preocupante nas cidades densamente povoadas, especialmente em Nova Délhi, a capital. Com mais de 80.000 casos, superou Mumbai, até então a mais afetada. Autoridades locais consideram possa chegar a meio milhão de infectados até o final de julho.

No Irã, com 2.456 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, o que eleva o número de infectados a 220.180 e 10.364 vítimas, o guia supremo, aiatolá Ali Khamenei, advertiu hoje que a situação econômica irá piorar se o país não conseguir controlar a propagação do vírus.

- Sem bares ou álcool -

Com mais de 125 mil mortos e quase 2,5 milhões de casos, os Estados Unidos assistem, impotentes, ao crescimento da pandemia. Os contágios aumentaram em 30 dos 50 estados, principalmente em Califórnia, Arizona, Texas e Flórida.

O Texas, um dos primeiros estados a reabrir a economia, suspendeu o desconfinamento iniciado este mês e ordenou o fechamento dos bares, e a Flórida, famosa por sua vida noturna, proibiu a venda de bebidas alcoólicas nos bares.

As cifras também crescem na América Latina, com 108.222 mortos e quase 2,4 milhões de casos. O Brasil segue sendo o país mais atingido da região, atrás dos Estados Unidos, com quase 56 mil mortos e 1,27 milhão de casos, segundo dados oficiais.

O avanço da epidemia levou o governo argentino a endurecer as medidas de quarentena impostas em Buenos Aires e periferia, epicentro da doença, que atingiu mais de 55 mil pessoas e causou 1.200 mortes.

Ante o dilema sobre o que priorizar, saúde ou economia, o governo peruano decidiu encerrar a quarentena nacional, para reativar o trabalho. Já no México, o número de mortos supera 25 mil e o ministro da Fazenda, Arturo Herrera, testou positivo para a doença, três dias após ter se reunido com o presidente Andrés Manuel López Obrador.

- Quase meio milhão de mortos -

A pandemia já matou 494.337 pessoas no mundo e deixou mais de 9,8 milhões de pessoas doentes, segundo um balanço da AFP. Na Europa, a necessidade de conciliar turismo e coronavírus mantém as autoridades vigilantes, ante os novos focos detectados durante o desconfinamento.

A localidade de Lloret de Mar, na Catalunha, reforçou a vigilância dos turistas e irá usar um drone para detectar aglomerações e emitir avisos sonoros gravados sobre a necessidade de se manter o distanciamento social.

Outra vítima do coronavírus são as marchas do Orgulho Gay. Grupos LGTB realizam hoje, na internet, uma maratona de atividades musicais, colóquios e entrevistas para dar visibilidade à luta pela igualdade de direitos da comunidade de lésbicas, gays, transexuais e bissexuais, que espera reunir centenas de milhões de pessoas on-line. Entre os participantes, estão as cantoras pop Kesha e Ava Max, bem como convidados políticos, como Carlos Alvarado, presidente da Costa Rica, país que legalizou recentemente o casamento gay.