Panorama sobre a COVID-19 revela que Recife vacina menos na periferia

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Foto: Agência Brasil
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  • Estudo “Avanço na pandemia X Vacinação da COVID-19 no Recife” foi realizado pelo mandato do vereador Ivan Moraes (PSOL)

  • Foram apresentadas possibilidade de medidas de urgência para a população em vulnerabilidade social

Texto: Victor Lacerda Edição: Lenne Ferreira

Apesar do avanço na vacinação contra a COVID-19, que já chegou na faixa etária de 23 anos, a capital pernambucana, na última quarta-feira (8), recebeu um título que propõe um novo olhar sobre as políticas públicas de saúde voltadas à população de periferia. O mandato do vereador Ivan Moraes (PSOL) realizou um estudo sobre o avanço da pandemia em contrapartida os números de vacinação por área. O resultado revelou que o Recife vacina menos áreas de morros, onde se concentra a população mais preta e de baixa renda.

O estudo apresenta que os pontos de vacinação não foram posicionados de acordo com as maiores taxas de letalidade. Da mesma forma, os pontos de vacinação nas regiões onde se encontram os morros da cidade, com menores taxas de rendimento mensal por domicílio, são menores do que em outras regiões. O cenário traz à tona que as áreas que menos recebem vacina, são as que mais apresentam registros de morte pela doença.

Entre os bairros que lideram o ranking de maior taxa de letalidade, por ordem, são: Linha do Tiro, Fundão, Rosarinho, Dois Unidos, Porto da Madeira, Mustardinha, Peixinhos, Cidade Universitária, San Martin e Sancho. Entretanto, contrapondo as áreas com maior número de óbitos e a quantidade de pontos de vacinação, bairros como Barro, que está na posição 13º no rankeamento da taxa de morte com índice com letalidade de 50,6%, não tem pontos de vacinação próximos, enquanto o bairro de Boa Viagem, 63º em letalidade, é o bairro mais vacinado com primeira e segunda doses.

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Para Tânia Maria, moradora da comunidade da Bomba do Hemetério, região de morros e com realidade próxima aos bairros de periferia que lideram os índices de letalidade, conta que, além das vulnerabilidades sociais do dia a dia, não se levou em conta a exposição maior que a população de baixa renda teve ao, em muitos casos, ter que trabalhar durante os altos índices de contágio. “Parece que a gente vive em uma realidade paralela e que, só seremos levados em conta, se formos necessidade no dia a dia dos mais ricos. Mas parece que até isso não foi considerado. Quem estava se expondo nos ônibus indo para casa dos patrões? Quem precisou arriscar a própria saúde e da família para não perder o emprego? Fomos nós”, desabafa a empregada doméstica.

O panorama ressalta o quadro geral do estado de indicadores apresentado pela Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG) no final do último dia 29. No ranking nacional, Pernambuco é o 10º em casos confirmados, o 9º com maior número de mortes e 4º com maior taxa de letalidade no país. O último dado alerta que, se a população negra e periférica já se encontrava com defasagens no acompanhamento da saúde e demais questões de vulnerabilidade, é alarmante o estado tomar a posição que se encontra.

Ivan Moraes e representantes de seu mandato envolvidos no estudo trouxeram a problemática via redes sociais e apresentaram medidas de emergência para o reparo com a saúde da periferia na capital. Entre elas estão: realizar vacinação domiciliar para aqueles com dificuldade de locomoção, continuar e ampliar medidas voltadas à população de rua após a crise, ofertar chips de celular para facilitar o cadastramento digital, reforçar a atuação dos serviços soco assistenciais na busca ativa das pessoas em vulnerabilidades e articular e organizar à Atenção Primária de Saúde e Estratégia Saúde da Família.

Questionada sobre quais medidas foram e estão sendo postas em prática para a saúde desta população durante a pandemia pela COVID-19, a assessoria da Prefeitura do Recife, até o fechamento da publicação, não apresentou retorno.

O estudo, na íntegra, com gráficos numéricos e com geolocalização, pode ser visto através do link.

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