Pantanal pode levar 50 anos para se recuperar, diz pesquisadora

·2 minuto de leitura
Foto: Myke Sena/picture alliance via Getty Images
Foto: Myke Sena/picture alliance via Getty Images

O Pantanal, considerado maior bioma úmido do mundo, pode levar até 50 anos para se regenerar após os incêndios que ainda atingem a região, de acordo com a professora Cátia Nunes da Cunha, pós-doutora em Ecologia da Vegetação pelo Instituto Max-Planck da Alemanha e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso.

“Se tivermos a cada ano uma chuva facilitadora, sem incêndios, acredito que em cerca de 30 anos é possível restaurar. Mas pulando para outro conjunto de flora, as matas ciliares e floresta inundável, isso muda. Essas florestas têm baixa resiliência quanto a incêndios, e para elas são necessárias novas avaliações. Acreditamos que a regeneração poderá levar em torno de 50 anos – e, se a intensidade do incêndio for ainda mais grave do que estamos vendo, poderá levar mais tempo”, avalia a especialista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Leia também:

Segundo Cátia Nunes, o incêndio com estas proporções “é uma situação nova até para os pesquisadores”. Ela projeta o futuro do bioma a curto prazo.

“Um dos cenários nos leva na direção de que, em breve, teremos no Brasil os efeitos de La Niña, que já entrou em atividade. Demora a chegar ao Pantanal, mas suponho que teremos períodos futuros secos. É possível ainda ter a paisagem do Pantanal começando a rebrotar, mas podem nascer ali espécies não desejáveis, daninhas e resistentes”, afirma.

A professora diz que a situação mais preocupante na regeneração do Pantanal é das florestas secas: “Elas tiveram sua expansão na América do Sul nos períodos geológicos mais secos e entraram também no Pantanal. Suportam seca, mas não têm tanta habilidade para resistir aos incêndios”.

Cátia Nunes prevê uma recuperação do Pantanal condizente com o tipo de solo e de vegetação em cada parte do bioma.

“No Pantanal, a recuperação varia de acordo com as características de cada macrohabitat. Há aqueles com predominância de espécies do Cerrado, onde campos têm gramíneas com folhagens duras e com sistemas de rizomas subterrâneos mais resistentes ao fogo As árvores têm estratégias de proteção, cascas grossas e uma série de situações adaptativas. Nesse tipo de ambiente, vejo regeneração promissora”, analisa.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos