'Pantera Negra': 'Missão de honrar e celebrar Chadwick Boseman', diz atriz

Em agosto de 2020, o mundo do cinema e da cultura pop recebeu com surpresa a notícia de que Chadwick Boseman havia falecido, aos 43 anos, após uma sigilosa batalha de quatro anos contra um câncer de cólon. Em uma trajetória de ascensão em Hollywood, o ator ficou marcado pelo papel como o rei T’Challa em “Pantera Negra” (2018), que faturou US$ 1,3 bilhão nos cinemas mundiais. Com sua morte, muitos se perguntaram como seguiria o projeto, mas Kevin Feige, todo-poderoso da Marvel Studios, e Ryan Coogler, diretor e roteirista, decidiram que nada seria cancelado.

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Intérprete da guerreira Okoye, líder das Dora Milaje, Danai Gurira conta que foi difícil retornar sem o ator.

— Foi muito difícil, mas o bonito é que todos sabíamos que estávamos fazendo para ele. Estávamos com a missão de honrá-lo e celebrá-lo — diz a atriz em conversa via Zoom. — Chadwick era um líder tão generoso e presente, tão gentil, uma figura tão central que para continuar era preciso se concentrar nessa memória.

O produtor Kevin Feige complementa:

— Estávamos todos processando este sentimento de luto e perda. E é ótimo quando não precisa lidar com isso sozinho, há uma real sensação de comunidade e pertencimento.

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Uma forma de lidar com estes sentimentos foi trazê-los para o filme. “Pantera Negra: Wakanda para sempre”, que chegou aos cinemas esta semana, tem como ponto de partida a morte do rei T’Challa. A situação impacta diretamente a rainha Ramonda (Angela Bassett), a princesa Shuri (Letitia Wright) e a companheira Nakia (Lupita Nyong’o) e, enfim, toda Wakanda.

Wright destaca que a Shuri do novo filme é bem diferente da vista no original.

— Quando conhecemos Shuri no primeiro filme, ela é um raio de luz, uma menina sem limites e sob a proteção do irmão. Agora, ela passa por algo muito duro. Precisei dar todo meu coração a ela. Espero que as pessoas possam se identificar e passar por um processo de cura ao nosso lado — aponta Wright.

Além de ser um sucesso de público e bilheteria, e receber uma indicação ao Oscar de melhor filme, o primeiro “Pantera Negra” foi um marco em termos de representatividade e empoderamento. Um fenômeno importante à época foi a realização de encontros de pessoas pretas que se reuniam para assistir ao longa lado a lado. A situação promete se repetir com o novo filme. Em Belo Horizonte, o projeto “Wakanda é nois” levará 200 jovens pretos da periferia para uma sessão em um shopping.

— Vamos lotar a maior sala da cidade com jovens pretos. É o filme ideal para isso, porque não traz uma representatividade vazia, traz um protagonismo, mostra as pessoas pretas não apenas como uma vertente de sofrimento. Wakanda é um lugar preto para pessoas pretas, onde se sentem seguras, onde se veem como reis e rainhas — fala a advogada Luísa Helena, coordenadora do projeto.

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Criador do podcast “Projeto Querino”, o jornalista Tiago Rogero aponta que o sucesso do primeiro filme mostra que há uma demanda ainda pouco aproveitada no mercado.

— Para além da questão política, que é muito importante, “Pantera Negra” é a prova de o quanto o mercado audiovisual perde quando ele não conta as histórias de forma diversa.

O impacto do filme na cena cultural foi tanto que a nova produção conseguiu até tirar Rihanna de um longo hiato de seis anos sem novas músicas. Ela está na trilha sonora do novo filme com “Lift me up”. A cantora busca repetir o feito de Kendrick Lamar, indicado ao Oscar por “All the stars”, tema do original. Além das trilhas oficiais, a história inspirou artistas por todo mundo. No Brasil, Emicida, Baco Exu do Blues e Djonga já citaram “Pantera Negra” ou “Wakanda” em suas letras.