Papa aceita renúncia de bispo dos EUA acusado de encobrir abusos sexuais

O bispo de Albany (Nova York), Edward Scharfenberger, em entrevista coletiva no dia 4 de dezembro de 2019.

O papa Francisco aceitou nesta quarta-feira a renúncia do bispo Richard Malone, da diocese de Buffalo, nos Estados Unidos, envolvido em um escândalo por encobrir crimes de pedofilia em sua diocese.

A renúncia foi anunciada com uma breve nota oficial do Vaticano, na qual as razões de sua partida não são especificadas.

Malone, de 73 anos, juntamente com uma delegação de bispos americanos, se reuniu no mês passado com o papa no Vaticano.

A diocese de Buffalo, no estado de Nova York, admitiu em outubro de 2018 estar no centro de uma investigação judicial por mais de 200 denúncias de abuso sexual de menores.

A maioria dos crimes ocorreu antes de 2002 e alguns remontam a mais de 70 anos.

Segundo fontes religiosas, Malone apresentou sua renúncia faltando dois anos para completar 75 anos, a idade obrigatória para aposentadoria, depois de ter sido informado dos resultados de uma investigação da Santa Sé sobre a diocese e sua gestão dos crimes.

Malone integrou a delegação de bispos americanos que se reuniu com o Papa no mês passado, no Vaticano.

Em comunicado publicado no site da diocese, Malone, que permanecerá como bispo "emérito" de Buffalo, confirmou que houve pressão para que renunciasse devido à forma como administrou o escândalo.

"Reconheci em numerosas ocasiões os erros que possa ter cometido ao reagir muito lentamente sobre temas do pessoal", afirmou Malone, acrescentando que implementou novos procedimentos de prevenção e se reuniu com muitas vítimas de atos de pedofilia.

Em março de 2018, a diocese publicou uma lista de 42 padres afastados do ministério, forçados a se aposentar ou que preferiram renunciar após acusações de abuso sexual.

Mas segundo as supostas vítimas, mais de 150 padres estão envolvidos.

Zach Hiner, diretor-executivo da associação de apoio às vítimas de abusos sexuais SNAP, disse à AFP que Malone tentou "encobrir ativamente e minimizar os casos de abuso em Buffalo, algo que não pode ser permitido nem tolerado".

Desde que foi eleito em 2013, Francisco está comprometido com a limpeza da Igreja Católica, atormentada por escândalos de pedofilia cometidos por décadas e ocultados por sua hierarquia.