Papa Francisco anuncia criação de órgão para Amazônia no Vaticano

Vatican Media/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Francisco cobrou da Igreja maior sintonia com a juventude contra a atual crise climática.

  • Bispos recomendaram formalmente que o papa retire a restrição sobre a ordenação de homens casados em lugares remotos, como em partes da Amazônia.

O papa Francisco afirmou neste sábado (26) que a região amazônica sofre “todo tipo de injustiça” e cobrou da Igreja maior sintonia com a juventude. As posições foram expressadas durante o encerramento do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia.

“A consciência ecológica vai em frente e hoje nos denuncia um caminho de exploração compulsiva e corrupção. A Amazônia é um dos pontos mais importantes disso. Um símbolo, eu diria”, defendeu o papa.

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O dia no Vaticano foi marcado ainda por uma posição histórica na Igreja Católica: os bispos reunidos para o Sínodo recomendaram formalmente que o papa retire a restrição sobre a ordenação de homens casados em lugares remotos, como em partes da Amazônia. A tão aguardada criação de um diaconato para as mulheres, no entanto, ficou de fora do relatório final, que agora será avaliado pelo papa Francisco.

“Considerando que a legítima diversidade não prejudica a comunhão e a diversidade da igreja, (…) propomos (…) ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterato, podendo ter família legitimamente constituída e estável”, traz o parágrafo 111 do documento.

Na avaliação de Francisco, os diagnósticos que foram feitos de questões culturais, ecológicas, sociais e pastorais da região amazônica são a maior importância do Sínodo dos Bispos. Dentro do conceito de ecologia integral, o sumo pontífice frisou que os problemas ambientais precisam ser vistos dentro de seus contextos sociais, “não só o que se explora selvagemente a criação, mas também as pessoas”. Ao todo, o documento apresentado tem 120 parágrafos e 5 capítulos.

O papa disse ainda que pretende criar um órgão dentro da Santa Sé dedicado exclusivamente aos cuidados com a Amazônia. Alocado no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o departamento deverá ser comandado pelo cardeal Peter Turkson, de Gana.

A ecologia não pode ser separada das questões sociais, enfatizou Francisco. “Na Amazônia há todo tipo de injustiça, destruição de pessoas, exploração de pessoas, em todos os níveis e destruição da identidade cultural”, disse, no encerramento. O papa lembrou sua encíclica Laudato Si’, publicada em 2015, como um marco para balizar o pensamento ecológico segundo as bases do catolicismo.

O líder dos católicos ponderou ainda que a Igreja precisa mirar no exemplo dos jovens para lutar por questões ambientais. Citou nominalmente a ativista sueca Greta Thunberg, empenhada em uma cruzada global para alertar sobre a atual crise climática. “Na manifestação dos jovens, como Greta e outros, eles levam um cartaz dizendo ‘o futuro é nosso’. Isso é a consciência do pedido ecológico”, declarou.

Mudanças sobre o celibato

Essa foi a primeira vez que uma cúpula de bispos convocada por um papa endossa uma mudança histórica na tradição do celibato. Ainda que limitada a áreas remotas da América do Sul e homens casados ​​já ordenados diáconos na igreja, a medida pode estabelecer um precedente para facilitar a restrição de padres casados ​​em todo o mundo. As propostas devem ser respondidas pelo papa até o final deste ano.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, atualmente, sete em cada dez católicos brasileiros consideram muito importante preservar a Amazônia, e 85% disseram concordar que atacar a Amazônia é um pecado. A conclusão foi tirada de uma pesquisa feita do instituto Ideia Big Data, que avaliou a posição dos fiéis sobre políticas para a região por ocasião do Sínodo de bispos para a Amazônia.

Comissionada pelas ONGs WWF-Brasil, Instituto Clima e Sociedade (iCS) e Movimento Católico Global pelo Clima (GCCM), a pesquisa ouviu 1.502 católicos em todo o Brasil no início de junho e analisou também a opinião dessa parcela da população sobre as ações da gestão Bolsonaro para a área ambiental.

Ao todo, segundo o levantamento do Idea Big Data, 68% disseram ser importante proteger a Amazônia para o crescimento do país, já que desenvolvimento nacional depende do meio ambiente protegido, 10% disseram ser irrelevante para o crescimento econômico do País e 10% afirmaram que a preservação ambiental atrapalha o crescimento.

A consulta mostrou ainda que 29% dos católicos consideram a atuação do presidente Jair Bolsonaro (PSL) nessa área como péssima e 12% como ruim. Outros 30% avaliam como regular e 22% como ótima ou boa. Mais da metade dos católicos entrevistados (52%) disse considerar o desmatamento da Amazônia a maior ameaça à natureza, superando problemas como poluição dos rios e dos mares, vista como principal ameaça por 19% dos entrevistados.