Papa condena que haja 'guerras demais' durante a pandemia

Alexandria SAGE, Gaël BRANCHEREAU
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O papa Francisco condenou neste domingo pascal (4), em sua homilia pascal, que haja "guerras demais e violência demais" durante a pandemia, e pediu à comunidade internacional o compartilhamento das vacinas anticovid com os países mais desfavorecidos.

Francisco dedicou seu discurso pascal, antes da bênção Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo) aos mais vulneráveis, aos doentes de covid-19, aos migrantes, às pessoas que por causa da pandemia vivem de forma precária e às populações que sofrem com as guerras.

"Ainda há guerras demais e violência demais no mundo!", disse o pontífice argentino, enquanto enumerou alguns dos conflitos mais devastadores, como o da Síria, do Iêmen e da Líbia.

"A pandemia ainda está em pleno curso, a crise social e econômica é muito grave, especialmente para os mais pobres; e apesar de tudo - e isso é escandaloso -, os conflitos armados não cessam e os arsenais militares são reforçados", criticou o papa.

- Silenciar "o clamor das armas" -

O sumo pontífice pediu o fim do "clamor das armas na querida e atormentada Síria, onde milhões de pessoas vivem atualmente em condições desumanas, assim como no Iêmen, cujas vicissitudes estão cercadas de um silêncio ensurdecedor e escandaloso, e na Líbia, onde finalmente se vislumbra a saída de uma década de contendas e enfrentamentos sangrentos".

Francisco também mencionou aqueles que em Mianmar, onde há dois meses ocorreu um golpe de Estado e os militares reprimem com sangue os protestos, "estão comprometidos com a democracia, fazendo ouvir sua voz de forma pacífica".

Ele pediu à comunidade internacional para ajudar o "povo libanês, que atravessa um período de dificuldades e incertezas" e que "israelenses e palestinos voltem a encontrar a força do diálogo para alcançar uma solução estável", insistindo em uma solução com dois Estados independentes.

Em sua mensagem, o papa elogiou "o caminho de pacificação que empreendeu" o Iraque, onde esteve em março em uma visita histórica e condenou "a violência interna e o terrorismo internacional" no Sahel e na Nigéria. Também pediu a libertação de prisioneiros nos conflitos na Ucrânia e em Nagorno Karabach.

O papa fez seu discurso em uma basílica de São Pedro quase vazia. Normalmente, ele preside estas celebrações diante de milhares de fiéis no Vaticano.

Mas desta vez, pelo segundo ano consecutivo, as restrições contra a covid-19 na Itália, um dos países mais afetados pela pandemia com mais de 110.000 mortos, impediram este tipo de ato.

- "Internacionalismo das vacinas" -

A respeito da crise sanitária, Jorge Bergoglio, após homenagear médicos e enfermeiras na linha de frente da pandemia, lembrou que "as vacinas são uma ferramenta essencial nesta luta".

"No espírito de um 'internacionalismo das vacinas', exorto toda a comunidade internacional a um compromisso comum para superar os atrasos em sua distribuição e para promover seu compartilhamento, especialmente nos países mais pobres", disse.

Em todo o mundo, "infelizmente, a pandemia aumentou dramaticamente o número de pobres e o desespero de milhares de pessoas", advertiu, pedindo "às autoridades públicas" fornecer-lhes "a ajuda imprescindível para o sustento adequado".

Pouco antes, Francisco celebrou a missa da Ressurreição na presença de uma centena de pessoas.

Na noite de sexta-feira, ele presidiu na praça de São Pedro uma Via-Sacra sem público, como no ano passado.

E em 28 de março, celebrou a missa do Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, diante de uma centena de fiéis e cerca de 30 religiosos.

Desde o início da pandemia, o papa, de 84 anos, acostumado às multidões e que saúda os fiéis em seus encontros, reduziu suas aparições em público.

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