Papa condena uso da pena de morte contra manifestantes no Irã

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco condenou nesta segunda-feira a execução de manifestantes pelo Irã pela primeira vez em seu tradicional discurso de Ano Novo a diplomatas e disse que a guerra na Ucrânia é "um crime contra Deus e a humanidade".

O pontífice fez suas declarações em uma fala a diplomatas credenciados no Vaticano. Sua visão geral no início do novo ano passou a ser conhecida informalmente como seu discurso sobre o "estado do mundo".

Seu discurso de oito páginas em italiano, lido para representantes da maioria dos 183 países credenciados no Vaticano, abrangeu todas as áreas conflituosas do mundo, incluindo as da África, Oriente Médio e Ásia.

Ele repetiu sua condenação ao aborto, apelando "particularmente aos que têm responsabilidades políticas, para que se esforcem para salvaguardar os direitos dos mais frágeis", e voltou a alertar para a ameaça de um conflito nuclear.

No entanto, a principal novidade do discurso no Salão da Benção do Vaticano foi a quebra de silêncio sobre a agitação nacional no Irã desde a morte, em setembro do ano passado, da iraniana curda Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia da moralidade.

“O direito à vida também está ameaçado naqueles lugares onde a pena de morte continua a ser imposta, como é o caso nestes dias no Irã, após as recentes manifestações exigindo maior respeito pela dignidade das mulheres”, disse ele.

Quatro manifestantes foram executados em conexão com a onda de protestos populares na República Islâmica.

Francisco falou da "guerra na Ucrânia, com seu rastro de morte e destruição, com seus ataques a infraestruturas civis que causam a perda de vidas não apenas por tiros e atos de violência, mas também por fome e frio congelante".

Ele imediatamente citou uma constituição do Vaticano, dizendo que "todo ato de guerra direcionado à destruição indiscriminada de cidades inteiras ou vastas áreas com seus habitantes é um crime contra Deus e a humanidade que merece condenação firme e inequívoca".

(Reportagem de Philip Pullella)