Papa cria lei para impedir vida luxuosa de bispos aposentados

Andreas SOLARO / AFP

O Papa Francisco anunciou uma nova lei da Igreja Católica segundo a qual membros do Vaticano e bispos de todo o mundo devem adotar uma vida simples, sem qualquer extravagância, depois que se aposentarem. A nova lei é conhecida como Motu Proprio, expressão em latim que quer dizer “por sua própria iniciativa”. As informações são da agência Reuters.

O próprio Francisco trocou os apartamentos papais por uma simples suíte. O texto da lei diz que os sacerdotes devem “despojar-se dos desejos de poder e do pretexto de serem indispensáveis”.

A decisão foi tomada após uma série de escândalos envolvendo sacerdotes do alto escalão do Vaticano. Mesmo depois de deixarem o cargo, eles mantêm apartamentos luxuosos usam escolta oficial para se locomover.

Um desses escândalos envolveu um apartamento usado pelo cardeal italiano Tarcisio Bertone, ex-secretário de estado, afastado em 2013.

Em outubro passado, um tribunal condenou o ex-presidente de um hospital por abuso do governo do Vaticano por ter desviado cerca de meio milhão de dólares de fundos para renovar o apartamento de Bertone.

Ao anunciar a nova lei, Francisco disse que aqueles que deixaram o alto cargo devem abraçar “um novo projeto de vida, marcado tanto quanto possível pela austeridade, humildade, oração, tempo dedicado à leitura e disposição para oferecer serviços pastorais simples”.

“O Papa está dizendo que as pessoas devem orar diante de Deus quando chega a hora de se aposentar. Basicamente, ele está dizendo a bispos e a cardeais ‘seja humilde, aprenda um jeito de servir com humildade’, disse o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, à Reuters.

Um ano depois de sua eleição em 2013, Francisco retirou do cargo um bispo alemão porque ele gastou 31 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 125 milhões, de fundos da Igreja em uma residência extravagante, enquanto o Papa estava pregando austeridade.