Papa defende direitos humanos e condições 'dignas' de trabalho no Bahrein

O papa Francisco fez um apelo pela defesa dos direitos humanos e condições "dignas" de trabalho pouco depois de chegar ao Bahrein, nesta quinta-feira (3), país árabe do Golfo criticado por sua política repressiva.

"O respeito, a tolerância e a liberdade religiosa" devem "ser colocados em prática constantemente para que não haja discriminação e para que os direitos humanos fundamentais não sejam violados e sim promovidos", declarou Francisco perante as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio Real de Awali (centro).

"São compromissos que precisam ser colocados em prática constantemente para que a liberdade religiosa seja plena e não se limite à liberdade de culto", acrescentou.

O pontífice argentino também pediu a garantia de "condições de trabalho seguras e dignas do homem", a menos de três semanas do início da Copa do Mundo no emirado vizinho do Catar, alvo de denúncias pelo tratamento dado aos trabalhadores estrangeiros.

"Desumanizar o trabalho" representa "um ataque à dignidade humana", disse o papa, exortando o Bahrein a ser "um farol que promova, em toda a região, direitos e condições justos e melhores para trabalhadores, mulheres e jovens".

- Velar pelos imigrantes -

No Bahrein, "quase metade da população residente é estrangeira e trabalha de forma notável para o desenvolvimento de um país em que, mesmo tendo deixado a sua própria pátria, se sente em casa", lembrou o papa.

É preciso garantir "respeito e atenção a quem sofre maior marginalização da sociedade, como os emigrados e os presos", insistiu.

Estado insular de 1,4 milhão de habitantes, o Bahrein tem quase 80.000 católicos, em sua maioria trabalhadores procedentes da Ásia, em particular imigrantes da Índia e Filipinas.

Durante sua estadia, Francisco se reunirá com o grande imã de Al-Azhar, a principal autoridade para os sunitas, e terá um diálogo com o "Conselho de Sábios Muçulmanos" na mesquita do Palácio Real.

A 39º viagem ao exterior do papa argentino é a segunda para esta região, depois de sua visita história aos Emirados Árabes Unidos em 2019, quando divulgou uma mensagem de convivência entre as religiões.

- Repressão -

Desde a revolta de 2011, em plena Primavera Árabe, o Bahrein é acusado por ONGs e instituições internacionais de realizar uma repressão feroz contra dissidentes políticos, principalmente da comunidade xiita, em um país governado por uma dinastia sunita, um dos ramos do Islã.

Nove ONGs pediram ao papa na terça-feira que "exija publicamente que o Bahrein acabe com todas as execuções, abolir a pena de morte e investigar seriamente as alegações de tortura e violações do direito a um julgamento justo".

Segundo uma fonte do Vaticano, o papa quer aproveitar seu encontro com o rei Hamad Bin Isa Al Khalifa para pedir que liberte prisioneiros xiitas.

Por sua vez, as autoridades do país jogam a carta da tolerância religiosa para mitigar sua própria imagem internacional.

"O Reino não tolera discriminação, perseguição ou promoção da divisão com base em etnia, cultura ou fé", disse ele em comunicado.

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