Papa diz que fornecer armas à Ucrânia para autodefesa é moralmente aceitável

O papa Francisco conversa com jornalistas durante voo de volta a Roma no avião papal.Alessandro Di Meo/POOL via REUTERS

Por Philip Pullella

A BORDO DO AVIÃO PAPAL (Reuters) - O papa Francisco afirmou nesta quinta-feira que é moralmente legítimo que as nações forneçam armas à Ucrânia para ajudar o país a se defender da agressão russa.

Falando a jornalistas a bordo de um avião que retornava de uma viagem de três dias ao Cazaquistão, Francisco também pediu que Kiev esteja aberta a um eventual diálogo, mesmo que ele possa "cheirar", porque seria difícil para o lado ucraniano.

A guerra na Ucrânia, iniciada pela invasão russa em 24 de fevereiro, foi pano de fundo para a visita do papa ao Cazaquistão, onde o pontífice participou de um congresso de líderes religiosos de todo o mundo.

Em uma entrevista coletiva de 45 minutos no ar, um repórter perguntou se era moralmente correto que os países enviassem armas para a Ucrânia.

"Esta é uma decisão política que pode ser moral, moralmente aceitável, se for feita sob condições de moralidade", disse Francisco.

Ele expôs os princípios da "Guerra Justa" da Igreja Católica Romana, que permitem o uso proporcional de armas mortais para autodefesa contra uma nação agressora.

“A legítima defesa não é apenas lícita, mas também uma expressão de amor à pátria. Quem não se defende, quem não defende algo, não ama. Quem defende (algo) ama”, disse.

Explicando a diferença entre quando seria moral ou imoral fornecer armas a outro país, Francisco disse:

"Pode ser imoral se a intenção for provocar mais guerra, ou vender armas ou despejar armas que (um país) não precisa mais. A motivação é o que em grande parte qualifica a moralidade dessa ação", disse.

((Tradução Redação São Paulo))

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