Duterte se responsabiliza por detenção de freira australiana

Manila, 18 abr (EFE).- O presidente da Filipinas, Rodrigo Duterte, admitiu nesta quarta-feira sua "plena responsabilidade" na recente detenção de uma missionária australiana de 71 anos e acusou a religiosa de "não ter vergonha" por criticar seu Governo.

A detenção de Patricia Fox, madre superior da congregação católica de Notre Dame de Sion nas Filipinas, ocorreu na segunda-feira e foi posta em liberdade no dia seguinte.

"Foi sob as minhas ordens, aplicada pelo Escritório de Imigração, e assumo toda a responsabilidade, legal ou não", declarou Duterte em um encontro com os veículos de imprensa.

Fox foi detida por "vulnerar as normas de sua congregação ao comparecer a protestos e participar de atividades políticas", segundo o Escritório de Imigração, à espera de que as autoridades decidam se apresentam ou não acusações contra ela.

O presidente disse que sua ordem foi que a freira "fosse investigada, não detida, mas investigada por conduta desordenada".

Nos últimos 27 anos, a missionária realizou atividades "em defesa dos direitos humanos e de ajuda aos mais desfavorecidos" na Filipinas, informou a Conferência Episcopal do país, e segundo veículos de imprensa se mostrou contra a "guerra antidrogas" de Duterte, que já soma mais de 7 mil mortos.

"Madre, por que não critica seu próprio Governo, a forma como se ocupam de refugiados famintos e moribundos e os devolvem a mar aberto?", disse o presidente, visivelmente zangado.

"Pelo menos são criminosos os que ordeno assassinar, e você? ", afirmou Duterte, em referência à "guerra antidrogas".

A lei filipina proíbe qualquer estrangeiro de participar de atividades políticas, embora até agora raramente tinha sido aplicada. EFE