Papa Francisco celebra grande missa no Canadá

O papa Francisco celebra, nesta terça-feira (26), uma missa em um estádio em Edmonton, oeste do Canadá, um dia depois de se desculpar pelo "mal" causado aos povos indígenas do país.

A missa está prevista para começar às 9h15 (12h15 de Brasília) no Estádio da Commonwealth em Edmonton, Alberta, onde o sumo pontífice fará a homilia em espanhol.

Durante seu primeiro discurso na segunda-feira, Francisco, de 85 anos, pediu desculpas por décadas de abusos cometidos nas escolas residenciais para crianças indígenas administradas pela Igreja Católica no Canadá.

"Peço perdão pela maneira como muitos membros da Igreja e das comunidades religiosas cooperaram, também com indiferença, nesses projetos de destruição cultural e assimilação forçada", declarou.

Nesta terça-feira, dando continuação a uma viagem que ele próprio qualificou de "peregrinação penitencial", vai saudar os paroquianos a bordo do seu papamóvel, apesar da dor no joelho que o obriga a usar bengala ou cadeira de rodas e a limitar os seus movimentos.

Segundo os organizadores, são esperadas 63.000 pessoas na missa, sob um importante dispositivo de segurança.

O líder espiritual dos quase 1,3 bilhão de católicos do mundo viajará então para o Lago Saint Anne, localizado cerca de 80 quilômetros a oeste de Edmonton, um dos principais locais de peregrinação da América do Norte.

Todos os anos, desde o final do século XIX, milhares de peregrinos vêm banhar-se e rezar nas águas deste lago, que segundo os nativos tem propriedades curativas.

O dia 26 de julho é a festa de Santa Ana, mãe da Virgem Maria e avó de Jesus na tradição católica, uma figura importante para muitas comunidades nativas canadenses.

Na quarta-feira, ele visitará a cidade de Quebec antes da última etapa da viagem, na sexta, em Iqaluit (Nunavut), cidade no norte do Canadá, no arquipélago ártico.

O papa pediu perdão na segunda-feira diante de uma multidão de povos das Primeiras Nações, Metis e Inuit, em Maskwacis, ao sul de Edmonton, cidade que abrigou a escola residencial Ermineskin de 1895 a 1975.

A emoção foi palpável entre os presentes, muitos em trajes tradicionais, junto com o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e Mary Simon, a primeira governadora-geral indígena do país.

Pouco antes, os voluntários distribuíram pequenos sacos de papel para "recolher as lágrimas". Muitos baixaram os olhos, enxugaram as lágrimas ou se inclinaram e abraçaram os que estavam ao lado.

As lideranças indígenas presenteraram e colocaram no papa um tradicional cocar de penas.

Do final do século XIX até a década de 1990, o governo canadense enviou cerca de 150.000 crianças para 139 internatos administrados pela Igreja, onde foram separadas de suas famílias, idioma e cultura.

Muitas sofreram abusos físicos e sexuais nas mãos de diretores e professores, e acredita-se que milhares tenham morrido de doenças, desnutrição ou negligência.

Em maio de 2021, mais de 1.300 sepulturas não marcadas foram descobertas nos locais das antigas escolas.

Uma delegação de indígenas viajou ao Vaticano em abril e se encontrou com o papa, que se desculpou formalmente pelo passado.

Mas pedir perdão em solo canadense tem um significado enorme, com o papa Francisco celebrando sua grande missa no Canadá junto a sobreviventes e suas famílias, para quem a terra de seus ancestrais é de particular importância.

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