Papa Francisco diz que Papa emérito Bento XVI está 'muito doente'

O Papa emérito Bento XVI, de 95 anos, está "muito doente", disse nesta quarta-feira seu sucessor, o Papa Francisco, pedindo orações para o religioso que, em 2013, se tornou a primeira pessoa a renunciar ao principal posto da Igreja Católica em seis séculos. Em sua audiência semanal no Vaticano, o atual pontífice pediu para que os fiéis orem para que o religioso alemão seja confortado por Deus "até o fim".

— Quero pedir a todos vocês uma oração especial para o Papa emérito Bento, que em silêncio está sustentando a Igreja — disse Francisco, em italiano. — Vamos lembrar dele, ele está muito doente. Pedimos ao Senhor para confortá-lo em seu testemunho de amor à Igreja até o fim — completou o Papa, cujo perfil oficial no Twitter compartilhou a mesma declaração horas depois.

Francisco não deu mais detalhes sobre o estado de saúde do Papa emérito, que vive há nove anos praticamente em clausura em um convento nos jardins do Vaticano. Pouco depois, contudo, o Vaticano confirmou que houve um "agravamento" da saúde de Bento XVI, que aparentava estar cada vez mais frágil em suas últimas e raras aparições públicas.

"Posso confirmar que, nas últimas horas, houve um agravamento devido à sua idade avançada", disse em comunicado o diretor do serviço de imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni. "A situação continua sob controle, supervisionada de forma permanente pelos médicos", disse ele, afirmando também que após sua audiência Francisco foi ao monastério Mater Ecclesiae visitar seu antecessor.

Uma das últimas fotografias do Papa emérito foi tirada no dia 1º deste mês, quando se encontrou com os ganhadores de um prêmio para teologistas batizado em sua homenagem. Ele aparentava estar particularmente debilitado, mas sua única comorbidade conhecida é uma erupção cutânea facial na metade direita de seu rosto, que não apresenta risco de vida.

A última aparição pública oficial, de Bento XVI contudo, foi no último dia 27 de agosto, quando Francisco foi até sua residência para apresentá-lo aos cardeais que haviam sido recém-nomeados.

Em abril, o arcebispo Georg Gaenswein, que por anos foi secretário do Papa emérito, disse ao Vatican News que ele estava "relativamente debilitado", mas bem. Segundo a agência de notícia Reuters, pessoas que viram o religioso alemão há apenas algumas semanas afirmavam que seu corpo estava frágil, mas que sua mente continuava afiada.

Ratzinger, que por quase 25 anos foi chefe do escritório de doutrina na Igreja, tornou-se Papa em 19 de abril de 2005, após a morte do Papa João Paulo II, e permaneceu sete anos e dez meses no posto. Ele anunciou sua surpreendente decisão de renunciar no dia 11 de fevereiro de 2013 e deixaria o cargo 17 dias depois, tornando-se o quarto Papa da História a abrir mão de seu cargo, depois de Papa Ponciano, em 235; Papa Celestino V, em 1294; e Gregório XII, em 1415.

— Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério de São Pedro — disse ele há quase dez anos, ao anunciar sua renúncia.

Seu sucessor, Francisco, foi eleito em conclave no dia 13 de março, tornando-se o primeiro latino-americano a comandar a Igreja Católica em toda sua História e iniciando uma reforma lenta, mas constante da cúpula da instituição. O jesuíta Francisco, cujo nome de batismo é Jorge Mario Bergoglio, também tem problemas de saúde sobre os quais não se sabe muitos detalhes e não descarta deixar o cargo caso considera que não tem mais condições de comandar a igreja.

Se o argentino sempre elogiou em público seu antecessor, a presença das duas figuras por vezes gerou tensão no Vaticano, com setores mais conservadores preferindo-o a Francisco. Apelidado de "rotweiller de Deus", Bento foi por décadas porta-voz do conservadorismo no Vaticano, tanto durante seus anos no escritório de doutrinas ou como Papa, produzindo documentos e comentários reafirmando proibições como métodos contraceptivos, eutanásia, homossexualidade e aborto, por exemplo.

Sua renúncia do cargo coincidiu com escândalos sucessivos de corrupção e de pedofilia dentro da Igreja, muitos deles acobertados por arcebispos e herdados das décadas anteriores. Em janeiro deste ano, um documento divulgado pelas arquidioceses de Munique e Freising compilava provas de 497 casos de abuso cometidos entre 1945 e 2019 cometidos por ao menos 235 religiosos e acusava Bento XVI de ter conhecimento de quatro desses casos, mas não fazer nada sobre quando era cardeal de Munique.

O Papa emérito, que lecionou teologia por 25 anos na Alemanha, negou categoricamente as alegações em uma carta na qual também pedia perdão às vítimas de abuso sexual na Igreja. Na correspondência, disse sentir "profunda vergonha e dor" sobre os incidentes.

O maior escândalo de seu Papado foi o Vatileaks, quando seu mordomo, Paolo Gabriele, divulgou documentos sigilosos com informações sobre corrupção e má gestão no Banco do Vaticano, por exemplo. Acredita-se que o incidente tenha impulsionado o então Pontífice a tomar a decisão de renunciar.