Papa Francisco empossa novos cardeais, incluindo brasileiros, e eleva influência no futuro da Igreja Católica

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Papa Francisco empossou neste sábado 20 cardeais de todo o mundo, sendo dois brasileiros, escolhendo homens que concordam principalmente com sua visão de uma Igreja Católica mais progressista e inclusiva e influenciando a escolha de seu eventual sucessor.

Francisco, de 85 anos, presidiu uma cerimônia conhecida como consistório, e disse aos novos cardeais que mostrassem preocupação com as pessoas comuns, apesar da posição que as colocará em contato com os poderosos da Terra.

A cerimônia marcou a oitava vez que Francisco colocou sua marca no futuro da Igreja com entrada de novos cardeais que servirão como seus principais conselheiros e administradores no Vaticano e em todo o mundo.

Aqueles com menos de 80 anos - 16 entre os 20 recém-chegados - podem entrar em um conclave para eleger um novo papa depois que Francisco morrer ou renunciar.

Os novos cardeais vêm de países incluindo Coréia do Sul, Espanha, França, Nigéria, Brasil, Índia, Estados Unidos, Timor Leste, Itália, Gana, Cingapura, Paraguai e Colômbia.

Os dois brasileiros são Leonardo Steiner, de Manaus, e Paulo Costa, de Brasília.

"Um cardeal ama a Igreja, sempre com o mesmo fogo espiritual, seja lidando com grandes questões ou lidando com problemas cotidianos, com os poderosos deste mundo ou com aquelas pessoas comuns que são grandes aos olhos de Deus", disse Francisco.

Sentado diante do altar principal da Basílica de São Pedro, Francisco pediu que os cardeais se lembrassem das "famílias pobres, dos migrantes e dos sem-teto".

Ele leu sua homilia com uma voz forte, muitas vezes saindo do roteiro, até mesmo para brincar sobre um padre de Roma que era tão próximo de seus paroquianos que ele sabia não apenas todos os seus nomes, mas também os nomes de seus cães.

Francisco, eleito papa em 2013, já escolheu 83 dos 132 cardeais eleitores, ou cerca de 63%.

A cada consistório, Francisco deu continuidade ao que um diplomata chamou de "inclinação em direção à Ásia", aumentando a probabilidade de que o próximo papa possa ser da região, que é uma potência econômica e política em crescimento.

O pontífice de 85 anos disse à Reuters em uma entrevista no mês passado que se ele renunciar no futuro por motivos de saúde - em vez de morrer no cargo - não tem planos de fazê-lo tão cedo. Isso significa que ele pode nomear ainda mais cardeais já no próximo ano.

Desde sua eleição como o primeiro papa latino-americano, Francisco muitas vezes quebrou o molde usado por seus antecessores na escolha de cardeais. Muitas vezes ele tem preferido homens de nações em desenvolvimento e cidades menores, em vez de grandes capitais onde ter um cardeal era considerado automático.

(Por Philip Pullella; reportagem adicional de André Romani)