Papa Francisco pede perdão pelos 'pecados' da Igreja no México

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O papa Francisco pronuncia a oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico em direção à Praça de São Pedro, em 26 de setembro de 2021 no Vaticano (AFP/Vincenzo PINTO)

O papa Francisco pediu perdão pelos "pecados" da Igreja Católica no México, de acordo com uma carta divulgada nesta segunda-feira (27) para marcar o 200º aniversário da independência do país latino-americano.

“Tanto meus antecessores como eu pedimos perdão pelos pecados pessoais e sociais, por todas as ações ou omissões que não contribuíram para a evangelização”, declara a mensagem lida durante a conferência diária do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador.

Em repetidas ocasiões, o presidente esquerdista havia pedido ao governo da Espanha e do Vaticano um pedido de desculpas pelos abusos cometidos durante a conquista e evangelização do México.

“Para fortalecer as raízes é necessário (...) reconhecer os erros cometidos no passado que foram muito dolorosos”, acrescenta o texto, dirigido a Rogelio Cabrera, presidente da Conferência do Episcopado Mexicano, que também o leu.

Ao mesmo tempo que felicitou o país pela data nacional, o pontífice indicou que "tampouco podem ser ignoradas as ações que nos últimos tempos foram cometidas contra o sentimento religioso cristão de grande parte do povo mexicano, causando assim profundo sofrimento".

A Igreja Católica enfrentou vários escândalos de pedofilia no México nos últimos anos.

Pelo menos 175 menores foram vítimas de abusos sexuais cometidos por membros da congregação dos Legionários de Cristo entre 1941 e 2019, 60 deles pelo seu fundador Marcial Maciel, falecido em 2008, segundo relatório interno da própria ordem divulgado em dezembro de 2019.

O papa Francisco assinalou, no entanto, que não evoca essas "dores" para deixá-las no passado, mas para "aprender com elas e continuar dando passos para curar as feridas, para cultivar um diálogo aberto e respeitoso".

Em outubro de 2020, López Obrador enviou uma carta ao papa Francisco na qual destacava a oportunidade de pedir perdão pelas "vergonhosas atrocidades" sofridas pelos povos indígenas, o saque de seus bens e terras e sua sujeição cultural e religiosa.

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