Papa Francisco rejeita padres casados por sentir que igreja não está pronta para mudança

Janaína Figueiredo

Quando era arcebispo de Buenos Aires, o então cardeal Jorge Mario Bergoglio se opôs a medidas emblemáticas aprovadas nos últimos dez anos pelo Congresso argentino. Entre elas, a lei de casamento gay. Naqueles anos, Bergoglio também expressava sua total rejeição a qualquer tipo de debate sobre legalização do aborto, uma das iniciativas do presidente Alberto Fernández que gera divergências entre o chefe de Estado e o agora Papa Francisco.

Quem o conhece sabe de seu perfil conservador quando o assunto é família. E não duvida em afirmar que, pessoalmente, o Papa é contra a ordenação de homens casados. No entanto, afirmam amigos argentinos que o visitam frequentemente, Francisco poderia ter aderido à proposta de implementar uma medida revolucionária deste tipo no caso da Amazônia. A questão, esclarecem, é que o Papa não avança em mudanças radicais se sente que a Igreja como instituição mundial não está preparada para isso.

Ele pode até mesmo fazer declarações fortes e contundentes sobre gays, como de fato fez. Mas são declarações e não resoluções. Declarações que buscam começar a abrir um caminho e enfrentar a delicada perda de fiéis da Igreja Católica no mundo todo. Uma resolução é algo bem diferente, e para isso Francisco precisa sentir que pisa em terreno firme. A Amazônia, claramente, não era o caso. Seu perfil conservador não teria sido o maior impedimento e sim a resistência interna da Igreja. Francisco escolhe suas batalhas, e em alguns casos passa por cima de posições que sustentou no passado. Neste caso, optou por manter o status quo.