Papa Francisco se diz preocupado com “discursos que lembram o de Hitler”

REUTERS/Yara Nardi

Em meio à ascensão da extrema direita na Itália, o papa Francisco critica o discurso nacionalista em entrevista concedida ao jornal “La Stampa” dias antes da crise política protagonizada pelo líder direitista Matteo Salvini, que rompeu com o governo exigiu a antecipação das eleições no país.

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“O nacionalismo é uma atitude de isolamento. Estou preocupado, porque ouvimos discursos que lembram os de Hitler em 1934. ‘Primeiro nós. Nós… nós…’: estes são pensamentos aterrorizantes”, afirma.

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O pontífice defende que a soberania dos países deve ser respeitada, assim como os vínculos entre os países dentro da Europa – que, segundo ele, tem raízes “humanas e cristãs”. Ele ainda expressa apoio à nova presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, afirmando que ela pode “reviver a força dos Pais Fundadores”.

“Um país deve ser soberano, mas não fechado. A soberania deve ser defendida, mas as relações com outros países e com a Comunidade Europeia também devem ser protegidas e promovidas. O nacionalismo é um exagero que sempre acaba mal: leva a guerras”, explica.

O papa argentino, que vivenciou os anos de Domingo Perón em seu país de origem, conta que, estudando Teologia, demorou a entender como o populismo pode isolar nações ao invés de uni-las, assim como o nacionalismo. No entanto, afirma ter percebido que o populismo não reflete a cultura popular:

“Estudando Teologia, eu aprofundava o popularismo, isto é, a cultura do povo: uma coisa é que o povo que se expresse, e outra é impor ao povo a atitude populista. O povo é soberano (tem seu jeito de pensar, de se expressar e de sentir, de avaliar), mas os populismos nos levam ao nacionalismo: esse sufixo, ‘ismos’, nunca faz bem”.

O papa Francisco também se mostra preocupado com a Amazônia e com o meio ambiente. Ele cita diversas catástrofes ambientais e também relembra um encontro recente com pescadores, que lhe contaram que recolheram seis toneladas de plástico do mar nos últimos meses.