Papa inicia "peregrinação penitencial"

O Papa Francisco deu início, este domingo, no Canadá a uma "peregrinação penitencial".

O Sumo Pontífice vai ficar uma semana no país da América do Norte sendo o principal objetivo prosseguir com "o caminho de cura e reconciliação" entre os povos indígenas e a Igreja Católica.

Francisco vai pedir desculpa aos povos indígenas pelos abusos cometidos pelos missionários católicos nos conhecidos colégios internos do país.

O Arcebispo de Edmonton, Richard Smith, frisa que esta viagem papal "é antes de mais uma peregrinação (...) mas ele (Francisco) qualificou-a ainda mais e referiu-se a ela como uma peregrinação penitencial. Ele está profundamente tocado pelo facto de coisas terríveis terem acontecido no passado, perpetradas em muitos casos por pessoas que eram representantes da igreja".

Até aos anos 70 do século XX estima-se que mais de 150 mil crianças indígenas tenham sido forçadas a frequentar os colégios internos católicos. Muitas nunca mais retornaram para as suas casas, acabando por perecer devido aos abusos a que estavam sujeitas.

"Trabalho com as nações indígenas para investigar as áreas em torno dos colégios internos usando tecnologia como radar de penetração no solo para tentar encontrar possíveis localizações das sepulturas não marcadas de crianças que morreram enquanto estavam na escola ou que nunca chegaram a casa e que não foram registadas", refere a professora Kisha Supernant, da Universidade de Alberta.

O caso ganhou maior mediatismo no ano passado depois de terem sido encontrados mais de 1300 cadáveres de crianças indígenas em campas não identificadas juntos de colégios internos católicos em várias regiões do país. Estima-se que, pelo menos, seis mil crianças indígenas tenham morrido nesses locais, de acordo com a Comissão de Verdade e Reconciliação do Canadá.

O caso está a ser tratado como "Genocídio Cultural".

A assimilação forçada de cerca de 150 mil crianças indígenas, nos internatos, ocorreu a partir de 1920 quando uma emenda na Indian Act ( “Lei do Índio”, em tradução livre), implementada originalmente em 1876, tornou obrigatório o internamento das crianças indígenas nestas escolas, ao mesmo tempo que tornou ilegal que elas frequentassem qualquer outra instituição de ensino.

O Governo, da época, concordou em fornecer educação aos jovens indígenas para que passassem a depender menos de fundos públicos e passou a colaborar com missionários cristãos para encorajar a conversão religiosa.

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