Policial americano é detido após matar a tiros um homem negro desarmado

(Atualiza com novas informações sobre o caso).

Washington, 7 abr (EFE).- Um policial americano está sendo acusado de assassinato depois de matar a tiros um homem negro desarmado em North Charleston, no estado da Carolina do Sul, informou nesta terça-feira o prefeito da cidade, Keith Summey.

O incidente ocorreu no sábado, mas apenas hoje foi divulgado um vídeo, gravado por um pedestre, no qual se observa o policial disparando pelo menos cinco vezes contra a vítima enquanto esta fugia correndo.

A confusão começou depois que o agente Michael Slager, branco e de 33 anos, ordenou que o motorista de um veículo parasse por estar com uma lanterna quebrada.

Walter Scott, negro e de 50 anos, saiu correndo após parar o veículo até chegar a um solar, onde o agente disparou vários tiros que acabaram com sua vida. Ele teria fugido porque tinha atrasado o pagamento da pensão de seus quatro filhos e temia ir para a prisão, explicou o advogado da família da vítima, Chris Stewart.

Os jornais americanos afirmam que Scott tinha sido detido pelo menos dez vezes em decorrência do atraso nos pagamentos de pensão para seus filhos.

No vídeo, enviado hoje pelo advogado ao jornal "The New York Times", é possível ver o policial ordenando à vítima que ponha os braços para trás das costas uma vez que já está abatido no solo.

"Quando você se equivoca, se equivoca. Quando toma uma má decisão, não importa se é um oficial ou um cidadão comum, tem que enfrentar essa decisão", disse o prefeito de North Charleston, Keith Summey.

O prefeito anunciou hoje em entrevista coletiva que o agente Slager terá que responder por acusações de assassinato. O acusado trabalhava na polícia local há cinco anos e antes tinha servido na Guarda Costeira dos EUA

A versão inicial dada pelo policial no sábado passado foi que disparou porque Scott teria tentado tirar sua arma e, por isso, temeu por sua vida.

"Temos muitos policiais bons. O que ocorreu não é aceitável na Carolina do Sul, nem reflete nossos valores ou a maneira na qual a maioria de nossos agentes atuam", disse em comunicado a governadora do estado, Nikki Haley.

"Garanto a todos os cidadãos da Carolina do Sul que haverá um processo judicial completo. Este é um momento triste para todos no estado, e peço que todos trabalhem unidos para que nossa comunidade se recupere", acrescenta a nota.

O FBI e o Departamento de Justiça iniciaram uma investigação para determinar se o caso constitui uma violação de direitos civis.

Este incidente se soma à preocupante lista de casos de policiais brancos que matam a tiros cidadãos negros desarmados ou em circunstâncias controvertidas.

Este problema, que se situou na primeira linha da política nacional após a morte de Michael Brown em agosto do ano passado, é uma das prioridades nas quais trabalha o Departamento de Justiça, liderado pelo afro-americano Eric Holder.

O próprio presidente Barack Obama admitiu que existe um problema de desconfiança entre a polícia e as minorias às quais deveria servir.

North Charleston, a cidade onde ocorreu este último incidente, tem 100.000 habitantes, sendo que 47% deles são afro-americanos e 37%, brancos.

No entanto, 80% do departamento de polícia é composto por brancos, segundo os últimos dados de que dispõe o Departamento de Justiça, de 2007.

O ano de 2014, o sexto na Casa Branca do primeiro presidente negro americano, foi marcado pelo ressurgimento da tensão racial nos EUA, com violentos enfrentamentos entre a polícia e minorias que lembraram os distúrbios ocorridos na década de 1960.

Desde a morte do jovem negro Michael Brown, no dia 9 de agosto, por um agente branco, os protestos se estenderam desde a pequena cidade de Ferguson, no estado de Missouri, a mais de 170 cidades de todo o país, incluindo Nova York, Washington e Los Angeles. EFE

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