Papa nega intenção de renunciar, mas diz que vai querer o título de 'bispo emérito de Roma' se esse dia chegar

O Papa Francisco lamentou as “guerras selvagens” que assolam vários países do mundo e reconheceu que seu pontificado foi marcado desde o início, há quase dez anos, pelo drama social e humano.

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Em uma entrevista em que fez um balanço dos anos após sua eleição, em março de 2013, o pontífice de 85 anos falou sobre os escândalos de abuso de crianças que abalaram a Igreja, do aborto, da migração, da reforma da cúria, e dos rumores sobre sua possível renúncia devido ao seu problemas de saúde.

— Se vejo que não posso [continuar] ou faço mal ou sou um estorvo, espero "ajuda" para tomar a decisão de me afastar — declarou o Papa, afirmando que, se esse dia chegar, prefere ser considerado "apenas como bispo emérito de Roma" e não "papa emérito", como seu predecessor Bento XVI.

— Se eu sobreviver após a renúncia, gostaria de fazer algo assim: confessar e ir ver os doentes — afirmou em uma longa entrevista em espanhol concedida aos jornalistas mexicanos María Antonieta Collins e Valentina Alazraki para o canal de streaming ViX de Noticias Univisión 24/7, divulgada nesta terça-feira.

Mas Francisco acrescentou que, apesar de seu "joelho doer um pouco" e se sentir um pouco "diminuído" por ter tido que usar cadeira de rodas e bengala, consegue andar graças aos tratamentos e que não tem intenção de desistir do cargo no momento.

— Não tenho nenhuma intenção de renunciar. Neste momento, não — disse.

Ao relembrar os conflitos que marcaram seu pontificado, destacou que "não há só guerras, mas são selvagens. Há guerras de destruição e guerra entre humanos. É que perdemos a consciência da guerra":

— Há anos venho dizendo que estamos vivendo a Terceira Guerra Mundial em pedaços, em capítulos (…) Comecei o pontificado com a guerra na Síria, com uma praça cheia rezando para que ela terminasse — lembrou o pontificado.

“E a humanidade continua a fabricar armas”, ressaltou o primeiro papa latino-americano da história, apesar de que “o uso e a posse de armas nucleares é imoral” para a Igreja, afirmou.

Na entrevista, Francisco fala da guerra no Iêmen, da "carnificina social" em Ruanda, da "guerra que nos tocou de perto" como a da Ucrânia e também pensa no sofrimento das mães das 30.000 "crianças " que morreram no desembarque nas praias da Normandia, em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

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— Não podemos brincar com a morte à mão. — disse Francisco.

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